Análise revela conflito entre a oferta doméstica de gado na China e as cotas de importação de carne bovina
Santander destaca desequilíbrio entre cotas de carne bovina da China e oferta doméstica de gado, questionando sustentabilidade futura.
Contexto do desequilíbrio nas cotas de carne bovina da China
O Santander observa um desequilíbrio entre as cotas de carne bovina da China e a oferta doméstica de gado no país, considerando os dados recentes sobre importação e produção local. Guilherme Palhares e Laura Hirata, analistas do banco, destacam que essa disparidade tende a crescer à medida que a China enfrenta uma retração estrutural do seu rebanho bovino, devido ao aumento do abate, ao mesmo tempo em que a demanda interna por carne bovina segue crescendo. Essa combinação torna a sustentabilidade das cotas de importação e de impostos adicionais incerta para o médio prazo.
Impactos da liquidação do rebanho para a oferta doméstica chinesa
A liquidação do rebanho bovino na China, puxada por um abate elevado, reduz a oferta doméstica de carne, pressionando o país a ampliar ainda mais suas importações. Essa situação estrutural aponta para uma maior dependência externa no equilíbrio entre oferta e demanda, dificultando a conciliação com as cotas de importação existentes. O cenário desenha uma trajetória onde a produção local limitada pode comprometer a capacidade da China de abastecer seu mercado internamente.
América do Sul e Austrália como principais fornecedores globais
Segundo o Santander, as únicas regiões com capacidade de suprir a demanda chinesa são a América do Sul e a Austrália. O preço do boi brasileiro, em torno de US$ 4/kg, é mais competitivo que o australiano e americano, que giram em torno de US$ 5/kg. Considerando que o preço médio de importação da China é cerca de US$ 5,5/kg e o preço no atacado próximo a US$ 9/kg, mesmo com tarifas sobre volumes acima das cotas, o país continuará recorrendo às importações para suprir sua demanda crescente.
Tendências e desafios para o mercado global de carne bovina
A crescente demanda chinesa, que transformou o país em um dos maiores importadores globais de carne bovina, contrasta com o fato de que essa proteína ainda é a menos consumida em comparação com outras carnes, como a suína. Isso indica um amplo espaço para crescimento no consumo de carne bovina na China, o que pode intensificar a pressão sobre a oferta global e as cadeias de suprimento internacionais. As tarifas e cotas existentes, portanto, precisam ser revistas para acompanhar essa dinâmica.
Reflexos para empresas e o setor do agronegócio
Empresas como a Minerva Foods enfrentam riscos decorrentes das incertezas sobre as cotas e a alocação dos volumes de importação na China. O cenário aponta para desafios estratégicos no setor do agronegócio, que depende da estabilidade das relações comerciais e da capacidade de atender a um mercado em expansão. A dependência crescente das importações pode influenciar preços, políticas tarifárias e fluxos comerciais, exigindo adaptações por parte dos produtores e exportadores.
O monitoramento contínuo dessa situação é essencial para entender os impactos no comércio internacional de carne bovina e para que o mercado se adapte às mudanças na oferta e demanda da China.
Fonte: www.moneytimes.com.br
