Trump e a crise do internacionalismo ocidental no século xxi

Christian Klindt Soelbeck/Reuters

A ascensão de um mundo pós-ocidental exige um novo internacionalismo mais ágil e pragmático para enfrentar a desordem global

A emergência de um mundo pós-ocidental desafia o internacionalismo ocidental tradicional e exige respostas estratégicas mais flexíveis e assertivas.

Trump e o desafio do internacionalismo ocidental no contexto global

O internacionalismo ocidental enfrenta uma crise profunda em 2026, marcada pela ameaça de Donald Trump de invadir a Groenlândia, território soberano sob a aliança da OTAN. Este episódio simboliza um mundo pós-ocidental de desordem internacional, no qual as antigas estruturas liberais e regras internacionais são desafiadas por lideranças autoritárias que privilegiam o poder e a força. O historiador Timothy Garton Ash enfatiza que a Europa deve reconhecer essa nova realidade para formular respostas eficazes.

A evolução do cenário internacional após 2022

Desde a invasão em larga escala da Ucrânia por Vladimir Putin em 2022, a unidade transatlântica que outrora definia o internacionalismo ocidental tem se fragmentado. Pesquisas recentes indicam que menos de 20% dos europeus da União Europeia veem os Estados Unidos como um aliado, refletindo a crescente distância política e estratégica, agravada pela postura errática de Trump 2.0. Enquanto isso, potências como China, Índia e Turquia mantêm relações pragmáticas com a Rússia, evidenciando a complexidade e a dissolução da hegemonia ocidental.

Nova abordagem necessária: internacionalismo ágil e pragmático

Diante da fragmentação e do avanço do autoritarismo, o modelo tradicional baseado em regras e processos lentos precisa ser substituído por uma diplomacia mais rápida, flexível e orientada a resultados. A União Europeia, frequentemente criticada por sua burocracia, deve liderar esse processo, adotando coalizões de vontade e ampliando parcerias além do eixo tradicional. O foco deve estar em exercer poder com responsabilidade, rejeitando o uso direto da força, mas deixando claro que o poder político é indispensável para conter agressões e preservar a ordem democrática.

A situação da Groenlândia e o papel da Europa

A ameaça à Groenlândia tornou-se um símbolo desse novo cenário. A resposta europeia envolve aumentos de apoio financeiro e militar coordenado com aliados como Canadá e Dinamarca, além do engajamento direto dos principais líderes europeus para demonstrar solidariedade e compromisso com a soberania da região. O diálogo com os governos locais de Groenlândia e Dinamarca é fundamental para garantir uma postura democrática e legítima, distinta das iniciativas imperialistas. A perspectiva de uma relação futura entre a Groenlândia independente e a União Europeia ressalta a necessidade de adaptações estratégicas.

Implicações para o futuro do internacionalismo ocidental

A pesquisa de opinião revela um pessimismo generalizado na Europa quanto à capacidade da UE de competir com grandes potências. Reverter esse quadro demanda uma visão renovada do internacionalismo ocidental, que combine firmeza, pragmatismo e inovação diplomática. Ao aprender com a crise atual e superar a nostalgia do passado, as democracias liberais podem reconstruir sua influência global, protegendo seus valores e interesses num mundo marcado pela competição e pela volatilidade.

A consolidação de um novo internacionalismo ocidental, portanto, é imperativa para responder aos desafios de 2026 e além, promovendo estabilidade e cooperação em um cenário geopolítico em rápida transformação.

Fonte: www.theguardian.com

Fonte: Christian Klindt Soelbeck/Reuters

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