Mercado de milho em 2026 enfrenta pressão baixista e desafios globais

Produção recorde nos EUA, insumos caros e instabilidade no Irã influenciam cenário do milho para o próximo ano

O mercado de milho para 2026 é marcado por produção recorde nos EUA, alta nos custos dos insumos e tensão política no Irã, criando pressão baixista.

Contexto da produção recorde e seus efeitos no mercado de milho

O mercado de milho em 2026 começa a ser marcado por uma produção recorde nos Estados Unidos, conforme divulgado no relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 12 de junho. O aumento da produção para 432,4 milhões de toneladas, maior volume já registrado, gera impacto direto nos preços internacionais, provocando pressão baixista. Raphael Bulascoschi, analista da StoneX, destaca que o mercado não esperava a elevação da produtividade para 11.707 kg por hectare e da área colhida para 36,9 milhões de hectares, que contribuem para essa oferta robusta.

Pressões sobre a demanda e perspectivas para os preços do milho

Apesar do crescimento da produção, a demanda por milho enfrenta desafios. O consumo para ração animal e etanol está abaixo das expectativas do USDA, o que agrava o desequilíbrio de oferta e demanda. Os contratos futuros refletem essa dinâmica, com o mercado registrando recuo nos preços, ainda que haja espaço para novas quedas. A StoneX aponta que, no curto prazo, o cenário é baixista, mas a expectativa de redução da área de plantio em 2026 pode oferecer algum suporte aos preços no segundo semestre.

Competitividade do milho frente à soja e impacto dos insumos elevados

Outro fator que influencia o mercado de milho é a relação econômica e agronômica com a soja. Com os preços do milho recuando mais significativamente que os da soja, a oleaginosa torna-se mais atrativa para os produtores. Além disso, o milho requer maior uso de fertilizantes, cujo custo permanece elevado, pressionando as margens dos agricultores. A rotação de culturas também favorece a soja, pois é incomum o plantio consecutivo de milho em um mesmo terreno, especialmente após uma safra grande como a de 2025.

Influência do Irã na dinâmica das exportações brasileiras de milho

O Irã, maior importador do milho brasileiro em 2025, apresenta um cenário de instabilidade política grave, com protestos intensos e mais de 3.400 mortes registradas. Essa situação gera apreensão sobre a continuidade das negociações comerciais, especialmente diante da possibilidade de retaliações tarifárias dos Estados Unidos. Além disso, o Irã é um importante fornecedor de ureia, fertilizante essencial para o cultivo do milho, o que pode impactar negativamente os custos da próxima safra brasileira.

Perspectivas para o mercado brasileiro diante do consumo crescente e estoques necessários

No Brasil, embora a safra de 2025 tenha sido recorde, o consumo interno de milho cresce impulsionado principalmente pelo etanol de milho. A StoneX projeta crescimento modesto da área plantada, insuficiente para acompanhar a demanda crescente, especialmente para abastecer novas usinas de etanol previstas para operar em 2026 e 2027. Esse cenário pressiona as exportações brasileiras, que devem continuar pouco competitivas no mercado internacional. A manutenção de estoques robustos será fundamental para garantir o suprimento interno durante o período da safrinha.

A análise do mercado de milho em 2026 aponta para um equilíbrio delicado entre uma oferta histórica, demanda incerta e desafios geopolíticos e econômicos que podem influenciar preços e estratégias de plantio globalmente.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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