Pesquisa revela que a redução da biodiversidade na Mata Atlântica faz mosquitos buscarem sangue humano com mais frequência
O desmatamento na Mata Atlântica faz mosquitos mudarem comportamento e picarem mais humanos, elevando riscos à saúde pública.
Impacto do desmatamento nos hábitos alimentares dos mosquitos
O desmatamento altera hábitos dos mosquitos e aumenta a frequência com que esses insetos picam humanos, conforme mostra pesquisa divulgada em 14 de janeiro de 2026. O estudo conduzido pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisou populações de mosquitos nas reservas Sítio Recanto e Ecológica do Rio Guapiaçu, no Rio de Janeiro, e revelou uma mudança significativa na dinâmica de alimentação desses vetores. O pesquisador Sergio Machado destacou que a redução da fauna silvestre deixa menos opções para os mosquitos, que passam a se alimentar mais frequentemente de humanos, os hospedeiros mais comuns na região.
Metodologia da pesquisa e identificação da origem do sangue
Para entender a origem do sangue ingerido pelos mosquitos, os cientistas utilizaram armadilhas luminosas para capturar os insetos em áreas preservadas e fragmentadas da Mata Atlântica. Foram coletados 1.714 mosquitos pertencentes a 52 espécies diferentes, dos quais 145 fêmeas apresentavam sinais recentes de alimentação. A análise genética permitiu identificar a fonte do sangue em 24 desses mosquitos, sendo 18 provenientes de humanos e os demais de aves, um anfíbio, um roedor e um canídeo. A ocorrência de alimentação mista também foi observada, indicando que as alterações no ambiente influenciam as escolhas alimentares desses insetos.
Consequências para a saúde pública e riscos epidemiológicos
O aumento das picadas em humanos traz preocupação devido ao papel dos mosquitos como transmissores de vírus responsáveis por doenças graves, como febre amarela, dengue, zika, chikungunya, mayaro e vírus sabiá. A maior proximidade dos mosquitos com as populações humanas, consequência do desmatamento, intensifica o risco de surtos e amplia a necessidade de vigilância epidemiológica e medidas de prevenção eficazes. A pesquisa alerta para a importância de manter a biodiversidade para reduzir o contato entre mosquitos e humanos e minimizar o risco de transmissão de doenças.
Contexto ambiental e urgência na preservação da Mata Atlântica
Apesar de a Mata Atlântica ainda abrigar uma rica diversidade de animais que poderiam servir como fonte de alimento para os mosquitos, o avanço da degradação ambiental reduz essas opções. A fragmentação dos habitats naturais e o aumento da presença humana modificam os ecossistemas locais, favorecendo a adaptação dos mosquitos a hospedeiros humanos. Essa situação ressalta a urgência em implementar políticas ambientais eficazes que conciliem conservação da biodiversidade e saúde pública para conter os impactos negativos do desmatamento.
Medidas preventivas e perspectivas futuras
Diante da descoberta de que o desmatamento altera hábitos dos mosquitos e eleva as picadas em humanos, especialistas enfatizam a necessidade da integração entre ações ambientais e sanitárias. O controle das populações de mosquitos, o fortalecimento da vigilância epidemiológica e a educação comunitária são instrumentos fundamentais para mitigar os riscos. Além disso, conservar e restaurar áreas naturais pode ajudar a preservar a diversidade animal e reduzir o contato direto entre mosquitos e pessoas, contribuindo para a prevenção de doenças transmitidas por vetores.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Joao Paulo Burini/Getty Images
