Descoberta revela como o cérebro distingue o próprio corpo do ambiente externo por meio de ritmos cerebrais
Estudo revela que ondas alfa no cérebro são cruciais para o reconhecimento do corpo e a distinção do ambiente.
Entendendo o papel das ondas alfa na percepção do corpo humano
A compreensão de onde termina o corpo humano e começa o ambiente externo é fundamental para a experiência sensorial e a sobrevivência. Pesquisas recentes mostraram que as ondas alfa, ritmos elétricos registrados no córtex parietal, desempenham papel decisivo nesse processo. Essas ondas atuam como uma marcação temporal que permite ao cérebro organizar a chegada de diferentes estímulos sensoriais e decidir se eles pertencem ao próprio corpo ou ao mundo ao redor. O estudo foi realizado em 106 participantes submetidos à ilusão da mão de borracha, cuja resposta revelou a importância da frequência dessas ondas para a percepção corporal.
A ilusão da mão de borracha e a sincronização sensorial
A ilusão da mão de borracha é um experimento clássico no qual o cérebro pode ser induzido a reconhecer uma mão artificial como parte do próprio corpo quando toques sincronizados são aplicados simultaneamente na mão real, fora do campo visual, e na mão falsa. Pequenas diferenças temporais entre esses estímulos são suficientes para enfraquecer essa sensação de pertencimento. Isso evidencia que o tempo de processamento dos sinais táteis e visuais é crucial para a sensação corporal, sustentada pelas ondas alfa que regulam esse sincronismo.
Frequência das ondas alfa e a distinção entre eu e o mundo
As ondas alfa apresentam variações individuais em sua frequência, o que impacta diretamente a capacidade de distinguir o próprio corpo do ambiente externo. Indivíduos com oscilações mais rápidas de ondas alfa demonstram maior precisão ao identificar estímulos como pertencentes ao corpo, enquanto aqueles com frequências mais lentas têm uma percepção menos definida. Essa relação foi confirmada por testes que avaliaram a habilidade dos participantes em perceber diferenças temporais entre estímulos visuais e táteis, reforçando o papel da frequência das ondas alfa na coerência da experiência corporal.
Implicações para transtornos psiquiátricos e tecnologias assistivas
A pesquisa traz contribuições importantes para a compreensão de transtornos como a esquizofrenia, nos quais a percepção do eu está frequentemente alterada. Pacientes com esse diagnóstico costumam apresentar ondas alfa mais lentas, o que pode explicar a dificuldade em distinguir experiências internas de estímulos externos. Além disso, o conhecimento sobre a modulação das ondas alfa pode ser aplicado no desenvolvimento de próteses mais eficientes e na criação de experiências imersivas de realidade virtual, onde o sincronismo entre estímulos visuais e táteis é fundamental para a sensação de pertencimento corporal.
Manipulação experimental das ondas alfa e suas consequências
Em uma segunda fase do estudo, os pesquisadores utilizaram estimulação cerebral leve para acelerar ou desacelerar temporariamente as ondas alfa no córtex parietal de 30 participantes. Essas intervenções alteraram tanto a probabilidade de os indivíduos sentirem a mão artificial como sua quanto a capacidade de discernir o momento preciso entre estímulos luminosos e táteis. Modelos matemáticos indicaram que a frequência das ondas não muda as crenças dos participantes, mas sim o grau de incerteza na origem dos sinais sensoriais, com ondas alfa mais rápidas gerando informações temporais mais claras e confiáveis.
A percepção do eu mediada pelo ritmo cerebral
Segundo o neurocientista Henrik Ehrsson, coautor do estudo, a pesquisa revela que a percepção de identidade corporal depende do ritmo interno do cérebro para organizar as informações do mundo ao redor. O tempo, mediado pelas ondas alfa, emerge como um fator decisivo na construção da sensação de quem somos, apontando para uma nova compreensão da experiência consciente e seus fundamentos neurais.
Fonte: www.parana.jor.br
