Estudo revela que os incêndios florestais atuais no norte do Alasca são os mais frequentes e severos da história recente e estão ligados ao aquecimento global
Pesquisadores descobriram que os incêndios no Alasca no século 21 são os mais intensos em 3 mil anos, fruto do aquecimento global e mudanças ambientais.
Análise histórica revela aumento sem precedentes dos incêndios no Alasca
Os incêndios no Alasca registraram um crescimento dramático em intensidade e frequência no século 21, conforme estudo publicado em novembro na revista Biogeosciences. A pesquisa analisou dados da Cordilheira Brooks, ao norte da região, a partir de amostras de turfa coletadas em nove locais do bioma de tundra. Esses dados permitiram reconstruir padrões de atividade de incêndios, mudanças na vegetação e umidade do solo ao longo de cerca de 3 mil anos, iniciando em 1000 a.C.
Metodologia científica utilizando turfa para reconstrução ambiental
Para entender a evolução dos incêndios no norte do Alasca, os pesquisadores extraíram cerca de meio metro de turfa, camada orgânica que preserva vestígios ambientais ao longo do tempo. A datação por radiocarbono e chumbo possibilitou estimar a cronologia das camadas e identificar períodos de maior ou menor ocorrência de queimadas. Esse método inovador permitiu observar alterações na vegetação e no solo desde o ano 1000 a.C. até os dias atuais, complementado por dados de satélite que confirmaram as mudanças recentes.
Mudanças ambientais ligadas ao aquecimento global influenciam o aumento dos incêndios
O estudo mostrou que entre 1000 a.C. e 1000 d.C., os incêndios eram raros, com solo úmido e pouca vegetação lenhosa. Entre 1000 e 1200 d.C., houve aumento leve dos incêndios e início do ressecamento do solo. De 1200 a 1900, as queimadas foram novamente raras, mas a partir de 1900 ocorre um aumento acelerado em níveis inéditos, acompanhado de proliferação de arbustos lenhosos e solo muito seco. Os pesquisadores relacionam esse fenômeno ao aquecimento global, que provoca secagem do solo e estimula o crescimento de vegetação inflamável, elevando o risco e a intensidade dos incêndios.
Impactos e perspectivas para o combate aos incêndios no norte do Alasca
O crescimento exponencial dos incêndios no Alasca tem efeitos graves sobre os ecossistemas locais, afetando a biodiversidade e o equilíbrio climático regional. Com a tendência de aumento da temperatura global, a frequência e intensidade dessas ocorrências devem permanecer elevadas caso medidas de mitigação não sejam adotadas. O conhecimento detalhado sobre a mudança nos regimes de incêndio pode ajudar agências ambientais e autoridades a desenvolver estratégias mais eficazes para prevenção e resposta a crises futuras.
Importância da pesquisa para políticas ambientais e conservação
A investigação pioneira fornece evidências contundentes da relação entre o aquecimento global e a alteração no padrão dos incêndios florestais no extremo norte do planeta. Essas informações são essenciais para orientar políticas públicas e ações de conservação que busquem reduzir os impactos humanos no clima e proteger os biomas frágeis. Além disso, reforça a necessidade de monitoramento contínuo e uso de tecnologias avançadas para gestão ambiental adaptativa.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Matt Howard/Unsplash
