Mercado cambial reage à conjuntura política brasileira e à redução das ameaças no Oriente Médio
Dólar recua diante do cenário eleitoral no Brasil e alívio nas tensões geopolíticas envolvendo EUA e Irã.
Cenário político brasileiro reforça apetite por risco e impacta dólar recua
Na sessão do dia 15 de janeiro, o dólar recuou e fechou a R$ 5,3681, influenciado diretamente pelo cenário eleitoral no Brasil e o alívio nas tensões geopolíticas globais. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), manifestou disposição para disputar a Presidência da República caso seja escolhido internamente pelo partido, demonstrando que as movimentações políticas locais estão intensificando o interesse dos investidores por ativos de risco brasileiros. Paralelamente, Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, afirmou que sua candidatura é irreversível, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo e favorito do mercado, mantém apoio ao senador Bolsonaro e foca na reeleição estadual. Essas declarações reforçam o foco do mercado nas definições políticas para 2026.
Alívio nas tensões entre EUA e Irã reduz pressão sobre câmbio
O mercado internacional apresentou sinais de maior estabilidade diante da redução das tensões entre Estados Unidos e Irã, um dos principais drivers para o dólar recuar no Brasil. Na quarta-feira (14), o presidente Donald Trump anunciou a suspensão dos planos para execuções de manifestantes no Irã, o que diminui a probabilidade de conflito militar direto. Apesar de novas sanções americanas contra autoridades iranianas ligadas à repressão, o cenário geopolítico ficou mais ameno. Tal contexto contribui para a valorização do real, mesmo com o índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta global de moedas, operando em alta de 0,19%.
Decisão americana sobre o Federal Reserve e dados econômicos influenciam o mercado
A permanência do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no comando do banco central dos EUA foi confirmada pelo presidente Trump, aliviando incertezas sobre a condução da política monetária americana. Essa estabilidade institucional, junto com dados positivos como a queda dos pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA para 198.000 na semana encerrada em 10 de janeiro, reforça o apetite dos investidores por ativos de maior risco, incluindo moedas emergentes como o real. A expectativa sobre a escolha do novo indicado à presidência do Fed permanece, mas a decisão próxima reforça a confiança do mercado.
Impactos da conjuntura cambial no mercado e perspectivas para 2024
Apesar da alta do dólar no exterior, refletida pelo aumento dos juros dos Treasuries e o fortalecimento do DXY, o real apresentou valorização superior a 4% em momentos recentes, influenciado pelos fatores locais e o fluxo para ativos de risco. Tal comportamento evidencia a importância da conjuntura política interna e o papel das expectativas eleitorais no movimento cambial do Brasil. Especialistas em investimentos destacam que essa dinâmica deve permanecer enquanto as definições políticas forem desenhadas, tornando o cenário eleitoral um ponto focal para a evolução do câmbio e dos mercados financeiros nacionais.
Análise do especialista Bruno Shahini sobre valorização do real
Bruno Shahini, especialista da Nomad, ressalta que “o real se valorizou, indicando que fatores locais e o fluxo para ativos de risco prevaleceram na formação da taxa de câmbio”, mesmo diante da queda significativa do petróleo e do fortalecimento do dólar externo. Essa análise destaca o peso das condições políticas brasileiras e a percepção de estabilidade relativa diante dos eventos internacionais, elementos que sustentam a tendência de queda do dólar frente ao real no curto prazo.
Fonte: www.moneytimes.com.br
