Divergências sobre candidatura e alianças políticas marcam articulações para sucessão de Cláudio Castro no governo do Rio
A disputa por mandato-tampão no Rio expõe divisões no PT sobre candidatura e alianças políticas em meio à renúncia prevista de Cláudio Castro.
Entenda a disputa por mandato-tampão no Rio de Janeiro em 2026
A disputa por mandato-tampão no Rio de Janeiro em 2026 reacende divergências dentro do PT estadual. Desde que o governador Cláudio Castro (PL) manifestou a intenção de concorrer ao Senado, provocando sua renúncia até abril, o partido se vê dividido sobre como atuar na eleição indireta prevista para escolher seu sucessor. A eleição será realizada pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) cerca de 30 dias após a saída de Castro, devido à vacância também do vice-governador Thiago Pampolha, que assumiu vaga no Tribunal de Contas do Estado.
O ex-presidente da Alerj e atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, André Ceciliano, tem sido ventilado como nome do PT para disputar o mandato-tampão. Essa candidatura enfrenta resistência interna, pois setores do partido receiam que sua eventual vitória aumente a pressão por romper alianças com o prefeito Eduardo Paes (PSD), provável candidato ao governo estadual. A divergência se concentra na avaliação sobre a melhor estratégia eleitoral para o PT no Rio, entre fortalecer alianças ou buscar maior protagonismo próprio.
Principais atores e suas posições no PT fluminense
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, figura como principal representante da ala majoritária do PT no estado e pai do atual presidente estadual do partido. Quaquá defende a contenção de danos e evita a fragmentação política, ressaltando que o PT e a esquerda não possuem maioria na Alerj para eleger um candidato próprio no mandato-tampão. Ele preconiza a prioridade no fortalecimento do palanque de Lula e de Eduardo Paes nas eleições de outubro.
Já o campo pró-Ceciliano sustenta que a eleição do ex-presidente da Alerj poderia valorizar o PT politicamente e impulsionar a candidatura de Paes. Contudo, existe receio de que isso leve a um aumento da pressão interna para lançar um nome próprio ao Palácio Guanabara. A direção estadual do PT chegou a emitir nota desautorizando manifestações individuais que possam prejudicar a reeleição de Lula e as alianças nacionais do partido.
Cenário da eleição indireta e nomes cotados para mandato-tampão
Com a renúncia iminente de Cláudio Castro, que pretende apoiar um nome do seu gabinete para sucedê-lo, a eleição indireta ganha contornos políticos decisivos. Entre os nomes apontados para disputar o mandato-tampão com apoio do atual governador estão os secretários Nicola Miccione (Casa Civil) e Douglas Ruas (Cidades). A decisão sobre quem concorrerá, porém, ainda depende das negociações na Alerj e das articulações políticas mais amplas.
O cenário é complexo, pois a legislação determina que, diante da vacância dos cargos de governador e vice, a Assembleia Legislativa deve escolher o novo governador para o período restante. Essa definição influenciará o alinhamento político no estado e pode impactar as estratégias para as eleições estaduais que ocorrerão em outubro.
Impactos políticos e eleitorais da disputa interna no PT do Rio
A disputa por mandato-tampão no Rio reflete as tensões internas do PT quanto a alianças e candidaturas em um momento eleitoral crucial. A polarização entre lançar candidatura própria ou apoiar aliados simboliza o dilema do partido entre ampliar seu protagonismo ou preservar alianças estratégicas para fortalecer a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, o resultado da eleição indireta pode influenciar diretamente o ambiente político fluminense, afetando o cenário para o governo estadual e o Senado. A movimentação no PT mostra como decisões internas em partidos podem repercutir em conjunturas eleitorais maiores, moldando os rumos políticos do estado.
Considerações finais sobre a conjuntura política do Rio em 2026
A articulação em torno do mandato-tampão no Rio expõe a complexidade das relações partidárias e as disputas internas que acompanham decisões estratégicas. O PT do Rio enfrenta o desafio de equilibrar interesses diversos para evitar fragmentação e manter sua influência nas eleições estaduais. A renúncia de Cláudio Castro e a consequente eleição indireta são elementos que dinamizam esse processo, com possíveis reflexos no cenário político nacional.
O desenrolar dessa disputa estará atento às negociações na Alerj, às definições de candidaturas e à capacidade do PT em harmonizar suas alas para enfrentar as eleições de outubro com unidade e estratégia clara.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Vinicius Schmidt/Metrópoles
