Em resposta às tarifas e ameaças de Donald Trump, o Canadá redefine relações comerciais e políticas com a China
Diante das tensões com os EUA, o Canadá reforça sua parceria estratégica com a China, buscando diversificar comércio e estabilidade política.
Mudanças na relação comercial entre Canadá e China após tarifas e ameaças dos EUA
A parceria estratégica com a China emergiu como resposta direta às tensões comerciais e diplomáticas entre Canadá e Estados Unidos. Durante a visita do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim, foi anunciado o corte da tarifa canadense de 100% sobre carros elétricos chineses, uma medida que se alinha ao interesse de aliviar os impactos econômicos causados pelas disputas tarifárias iniciadas pela administração Trump. Em contrapartida, a China reduziu tarifas sobre produtos agrícolas canadenses. Essa troca representa uma importante mudança para o Canadá, tradicional produtor automotivo que até então seguia a linha adotada pelos EUA.
Impactos geopolíticos da parceria estratégica com a China no contexto global
A aproximação com a China ocorre em um momento de instabilidade geopolítica, onde o Canadá enfrenta um cenário global fragmentado e ameaças diversas. Carney ressaltou que, apesar da complexidade da relação, a cooperação com a China tende a ser mais previsível do que com os EUA atualmente. O encontro com o presidente Xi Jinping reforçou o compromisso de enfrentar conjuntamente desafios globais, incluindo segurança internacional e questões econômicas. Essa mudança estratégica sinaliza uma diversificação no alinhamento canadense, buscando equilíbrio frente à influência americana.
Desafios históricos e atuais nas relações diplomáticas entre Canadá e China
A relação bilateral não está isenta de tensões antigas, como a detenção da dupla canadense Michael Kovrig e Michael Spavor, em retaliação à prisão da executiva Huawei Meng Wanzhou no Canadá a pedido dos EUA. Apesar da libertação dos detidos em 2021, o episódio deixou marcas profundas na confiança entre os países. Além disso, alegações de interferência chinesa na política canadense continuam a preocupar setores governamentais e da sociedade. Carney, embora tenha manifestado críticas à postura chinesa em questões de segurança, afirmou a necessidade de lidar com a realidade atual, conciliando interesses econômicos e políticos.
Estratégias do Canadá para reduzir dependência comercial dos EUA
Com 75% das exportações manufaturadas destinadas aos EUA, o Canadá enfrenta o desafio de diversificar seus mercados. A parceria estratégica com a China faz parte de um esforço maior para ampliar o comércio com outros países, incluindo a Índia e mercados emergentes. O governo canadense projeta um crescimento de pelo menos 50% nas exportações para fora dos EUA na próxima década. O estreitamento das relações com a China visa não apenas ganhos econômicos imediatos, mas também a construção de uma base comercial mais resiliente e menos suscetível a pressões externas.
Perspectivas futuras para a parceria estratégica com a China e suas implicações
A visita de Carney a Pequim reflete a urgência do Canadá em reposicionar sua diplomacia e comércio diante da imprevisibilidade da política americana sob Trump. Embora a parceria estratégica com a China represente uma oportunidade para o Canadá, também demanda cautela diante do histórico complexo e das diferenças em direitos humanos e segurança. O diálogo aberto sobre temas delicados, como a situação em Hong Kong e Taiwan, indica um equilíbrio entre pragmatismo e princípios. Essa nova etapa nas relações internacionais canadenses promete influenciar decisivamente a configuração geopolítica da América do Norte e a inserção global do país nos próximos anos.
Fonte: www.nbcnews.com
Fonte: People hold signs calling for China to release Canadian detainees Spavor and Kovrig during an extradition hearing for Huawei Technologies Chief Financial Office
