Ataques russos agravam crise energética e humanitária na Ucrânia

recent Russian missile and drone strikes, amid Russia's attack on Ukraine, in Kyiv, Ukraine, January 14, 2026. REUTERS/Alina Smutko TPX IMAGES OF THE DAY

Ofensivas de Moscou deixam milhares sem energia em temperaturas abaixo de zero enquanto tensões políticas se intensificam

Ataques russos recentes intensificaram a crise energética e humanitária na Ucrânia, deixando milhares sem energia em meio a temperaturas abaixo de zero.

Os ataques russos na Ucrânia agravaram significativamente a crise energética e humanitária do país durante o início de janeiro de 2026, com consequências severas para a população já fragilizada pelo inverno rigoroso. Em 9 de janeiro, a ofensiva russa atingiu Kyiv e outras cidades importantes com 242 drones kamikaze e 26 mísseis, segundo informações da Força Aérea da Ucrânia, que interceptou a maioria, mas não evitou danos críticos.

Ataques russos deixaram milhares de ucranianos sem energia e aquecimento

Os ataques que conseguiram passar causaram a morte de quatro civis e feriram cerca de 30 pessoas, além de deixar aproximadamente 6 mil prédios residenciais e 500 mil pessoas sem eletricidade, aquecimento e água em meio a temperaturas abaixo de zero. Muitas janelas foram estilhaçadas pelas explosões, expondo moradores ao frio intenso. Dois dias após o ataque inicial, cerca de 1.000 edifícios residenciais em Kyiv ainda permaneciam sem energia.

No dia 13 de janeiro, outra série de ataques russos atingiu estações e subestações elétricas, resultando em mais quatro civis mortos e a implementação de cortes emergenciais de energia em diversas regiões, incluindo Kyiv, Chernihiv, Odesa, Kharkiv, Dnipropetrovsk, Zaporizhia e Donetsk. Moradores relataram períodos mínimos de eletricidade e aquecimento insuficiente, trazendo à tona as dificuldades extremas enfrentadas pela população.

Governo ucraniano declara emergência e busca ampliar importação de eletricidade

Diante da situação crítica, o presidente Volodymyr Zelenskyy decretou estado de emergência no setor energético e criou um centro de coordenação em Kyiv para agilizar os reparos nas infraestruturas danificadas. Denys Shmyhal, ex-primeiro-ministro, foi nomeado ministro da Energia com a tarefa de aumentar a capacidade de importação elétrica utilizando todos os recursos disponíveis. Zelenskyy alertou que a região do vale do Dnipro, incluindo Odesa e Kryvyi Rih, estava entre as mais afetadas.

Relatórios indicam que cerca de 70% da infraestrutura energética da Ucrânia sofreu danos significativos durante o inverno, enquanto as condições meteorológicas, com nevascas e gelo, dificultam ainda mais o tráfego e o trabalho dos serviços essenciais.

Tensões políticas e diplomáticas se intensificam com respostas à ofensiva russa

No campo diplomático, em 8 de janeiro, os Estados Unidos e a Ucrânia estiveram perto de um acordo para garantir segurança ao país após um possível cessar-fogo, e aliados europeus se mobilizam para formar uma força multinacional capaz de garantir a manutenção da paz. O Reino Unido anunciou o envio acelerado de 268 milhões de dólares para financiar sua participação nesse contingente.

Entretanto, autoridades russas condenaram essas iniciativas, classificando o apoio internacional como declarações militaristas e afirmando que forças europeias na Ucrânia seriam alvos legítimos. A Rússia reforçou sua postura ameaçadora ao lançar o míssil balístico Oreshnik, considerado seu armamento mais novo e direcionado contra tropas estrangeiras, em um ataque que atingiu uma fábrica de aviões em Lviv.

Divergências entre EUA e Ucrânia nas negociações de paz sob críticas de ex-presidente Trump

Enquanto isso, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, criticou publicamente o presidente Zelenskyy, acusando-o de dificultar e atrasar os acordos de paz com a Rússia, apesar dos esforços diplomáticos em curso. Essa declaração foi endossada por Kiril Dimitriev, chefe do fundo soberano russo e interlocutor do Kremlin nas negociações.

Impacto humanitário crescente e ambições territoriais russas em disputa

O monitoramento da ONU indicou que o conflito causou a morte de 2.514 civis e ferimentos em 12.142 pessoas somente em 2025, representando um aumento de 31% em relação ao ano anterior. Além disso, a Rússia demonstrou interesse em aprofundar divisões entre os aliados ocidentais, com declarações sobre a soberania de territórios estratégicos como a Groenlândia e reafirmação das reivindicações territoriais na Ucrânia, incluindo a anexação de Donbas, Crimeia, Zaporizhia e Kherson, bem como a intenção de controlar regiões adicionais para dominar a costa do Mar Negro.

Esses acontecimentos evidenciam a complexidade do conflito, envolvendo não apenas uma guerra convencional, mas também batalhas políticas, econômicas e geopolíticas que ameaçam a estabilidade da região e o bem-estar da população ucraniana em pleno inverno severo.

Fonte: www.aljazeera.com

Fonte: recent Russian missile and drone strikes, amid Russia's attack on Ukraine, in Kyiv, Ukraine, January 14, 2026. REUTERS/Alina Smutko TPX IMAGES OF THE DAY

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