Presidente dos EUA sugere medidas tarifárias para pressionar aliados a respaldarem interesse americano na ilha ártica
Trump anuncia possível aplicação de tarifas contra países que não apoiarem controle dos EUA sobre a Groenlândia, ressaltando interesses estratégicos e tensões diplomáticas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que pode impor tarifas a países que não apoiem o controle americano sobre a Groenlândia, reforçando sua posição de que a ilha ártica é crucial para a segurança nacional dos EUA. A declaração foi feita durante um evento na Casa Branca dedicado à promoção de investimentos em saúde rural, sem detalhes específicos sobre quais países seriam afetados ou o valor das possíveis tarifas.
Trump reforça interesse estratégico dos EUA na Groenlândia
Trump tem insistido há meses que os Estados Unidos deveriam controlar a Groenlândia, um território semiautônomo da Dinamarca, aliado da OTAN. Segundo ele, a posse da ilha é vital por conter reservas minerais estratégicas e pela localização geopolítica. Na visão do presidente, qualquer cenário em que a Groenlândia não esteja sob influência americana seria “inaceitável”.
Reação e negociações com aliados europeus
Durante esta semana, ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram em Washington com autoridades dos EUA, incluindo o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. O encontro não solucionou as divergências, mas resultou na criação de um grupo de trabalho para tratar do assunto, embora Dinamarca e Casa Branca apresentem visões diferentes sobre o seu propósito.
Congresso americano demonstra preocupação e busca limitar ações unilaterais
Uma delegação bipartidária do Congresso americano esteve em Copenhague para tentar reduzir as tensões, encontrando parlamentares dinamarqueses e groenlandeses, além da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. Senadora Lisa Murkowski destacou que a Groenlândia deve ser vista como aliada, não como mero ativo, e revelou que 75% dos americanos são contrários à aquisição da ilha pelos EUA. Ela e outros legisladores propuseram legislação para impedir que os departamentos de Defesa ou Estado usem recursos para anexar a Groenlândia sem consentimento.
Vozes da Groenlândia expressam rejeição à ideia de colonização
Líderes groenlandeses e representantes do povo Inuit manifestaram forte repúdio à pressão americana. Sara Olsvig, do Inuit Circumpolar Council, afirmou que a insistência dos EUA em controlar a Groenlândia revela como o país vê povos indígenas e menos numerosos, gerando preocupação quanto ao respeito à soberania e direitos locais. O primeiro-ministro groenlandês Jens-Frederik Nielsen ressaltou a preferência pelo Reino da Dinamarca, OTAN e União Europeia em detrimento de um alinhamento com os EUA sob condições de pressão.
Dinamarca reforça presença militar e mantém soberania sobre a Groenlândia
Em resposta às tensões, a Dinamarca anunciou a ampliação da presença militar na Groenlândia, em cooperação com aliados, como forma de proteger a soberania territorial. Essa medida indica que o país está atento às disputas e pretende garantir que a ilha permaneça sob seu domínio legal conforme acordos internacionais.
O episódio revela a complexidade das relações internacionais envolvendo o Ártico, onde interesses estratégicos, questões de soberania e direitos indígenas se entrelaçam em um cenário de competição entre grandes potências.
Fonte: apnews.com
Fonte: AP Photo/Alex Brandon
