João Carlos Mansur deixa presidência do conselho da Revee após operação da Polícia Federal
João Carlos Mansur, alvo da operação da PF, renunciou à presidência do conselho da Revee, empresa que administra concessões públicas e está listada na B3.
João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos e alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração da Revee, empresa listada na B3 que atua na concessão e gestão de equipamentos públicos em cidades como Belo Horizonte (MG) e Recife (PE).
Operação Compliance Zero e impacto na gestão da Revee
A renúncia de Mansur foi divulgada em fato relevante da Revee na noite de 14 de janeiro, mesmo dia em que a Polícia Federal realizou a operação que visou suas atividades. Wisam Kamel Ayache, membro independente do conselho, também deixou seu cargo.
A Revee comunicou que, diante da vacância da maioria dos cargos do Conselho de Administração, iniciou um processo de seleção para recomposição do órgão e convocará assembleia geral de acionistas para deliberação dentro de 30 dias.
Trajetória e influência de João Carlos Mansur
Mansur ganhou destaque no mercado financeiro ao fundar a Reag Investimentos, especializada na estruturação de mais de 200 fundos de investimento, e teve papel relevante como conselheiro do Palmeiras, intermediando acordos para a construção do Allianz Parque.
Ao criar a Revee, Mansur convidou Luis Davantel para assumir a presidência executiva, com o objetivo de replicar o modelo de gestão de arenas esportivas e culturais, expandindo a atuação em concessões públicas pelo país.
Expansão e desafios da Revee
Entre os ativos da Revee estão a Arena Fonte Luminosa em Araraquara (SP), o ginásio Geraldão em Recife, e a Serraria Souza Pinto em Belo Horizonte (MG). A empresa estabeleceu contratos de concessão de longo prazo, investindo milhões em infraestrutura.
No entanto, projetos como a reforma do estádio Canindé, em São Paulo, e a construção de uma arena multiuso no Anhembi foram cancelados. A Revee também tentou adquirir participações em clubes e arenas, mas sofreu revés, como o cancelamento da compra de 40% do clube português Marítimo da Madeira.
Queda nas ações e movimentações recentes
Após a Operação Carbono Oculto em agosto de 2025, que afetou Mansur e a Reag, as ações da Revee sofreram forte desvalorização, caindo de picos acima de R$ 30 para valores em torno de R$ 2,34 em janeiro de 2026.
Além das renúncias de Mansur e Ayache, outros executivos como Luis Davantel e Lucas Dias Trevisan também deixaram seus cargos recentemente, evidenciando a instabilidade na gestão da companhia.
Perspectivas para a Revee
Com a recomposição do Conselho de Administração em curso, a Revee enfrenta o desafio de recuperar a confiança do mercado e retomar seus planos de expansão, diante das investigações da Polícia Federal e dos cancelamentos de projetos emblemáticos.
A situação da Revee reflete os riscos que empresas listadas na B3 enfrentam ao atuar em setores regulados e de alta complexidade, sobretudo quando envolvidas em operações policiais que podem afetar diretamente sua governança e valor de mercado.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Demétrio Vecchioli
