Especialistas identificam referências claras a ideologias supremacistas em publicações oficiais recentes
Publicações nas redes oficiais do governo Trump utilizaram frases e imagens que reproduzem discursos de grupos supremacistas, segundo especialistas.
As redes sociais oficiais da administração Trump têm publicado conteúdos que especialistas identificam como ecoando uma retórica extremista e supremacista branca. Postagens recentes, especialmente nos perfis governamentais no X (antigo Twitter), exibiram frases e símbolos com forte associação a grupos de extrema-direita, o que tem gerado debates sobre a normalização desse discurso no ambiente político e público.
Uso de terminologias alinhadas à supremacia branca
Em uma das postagens, a conta oficial da Casa Branca no X divulgou uma imagem de cães de trenó com bandeiras da Dinamarca, indicando dois caminhos: um em direção à bandeira dos EUA e outro às bandeiras da Rússia e China, acompanhada do texto “Which way, Greenland man?”. Essa expressão remete diretamente ao livro “Which Way, Western Man?”, obra frequentemente citada por grupos supremacistas brancos desde a década de 1970.
Similarmente, o Departamento de Segurança Interna publicou uma imagem com a legenda “Which way, American man?”, reforçando a conexão com a retórica utilizada por esses grupos. Robert Futrell, professor da Universidade de Nevada Las Vegas e especialista em extremismo, destacou que tais frases evocam ideias de “declínio cultural” e “invasão”, termos amplamente empregados na narrativa da extrema-direita para justificar políticas restritivas de imigração.
Imagens e slogans que reforçam a mensagem extremista
Outra publicação do Departamento de Segurança Interna apresenta um homem montado a cavalo contra cenários de montanhas nevadas e a imagem de um bombardeiro B-2, acompanhada do texto “WE’LL HAVE OUR HOME AGAIN” e um convite para o site do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA). Essa frase é conhecida por fazer parte de uma canção adotada por nacionalistas brancos, sinalizando uma mensagem de apoio tácito a esses grupos.
Além disso, o Departamento do Trabalho postou recentemente a frase “One Homeland. One People. One Heritage.”, que foi criticada por lembrar o slogan nazista “Ein volk, ein reich, ein führer”. Essa associação provocou reações de líderes sindicais e do público em geral, levantando preocupações sobre o simbolismo adotado nas comunicações oficiais.
Repercussão e respostas oficiais
Essas postagens foram amplamente compartilhadas em canais da extrema-direita, como grupos do aplicativo Telegram associados aos Proud Boys, que reagiram positivamente ao conteúdo. No entanto, autoridades da Casa Branca e do Departamento de Segurança Interna minimizaram as críticas, considerando-as ataques políticos desgastados.
Especialistas consultados pela NBC News afirmam que essas mensagens ultrapassam o status de simples “apitos” codificados para se tornarem “megafones” que legitimam e encorajam a supremacia branca. Jon Lewis, pesquisador da George Washington University, destaca que esse tipo de conteúdo é amplamente disseminado em espaços de teor conspiratório e extremista, aumentando seu alcance e influência.
A consolidação da retórica extremista na política oficial
O uso recorrente de termos como “invasão”, “re-migração” e “declínio cultural” mostra que expressões antes restritas a grupos marginais ganharam espaço na comunicação oficial do governo Trump, particularmente em sua abordagem sobre imigração.
Pesquisadores como Peter Simi e Jessie Daniels ressaltam que, embora as mensagens pareçam patrióticas para o público geral, elas são construídas para criar uma “negabilidade plausível” enquanto sinalizam alinhamento com ideologias supremacistas para determinados públicos.
Impacto da cultura de memes e propagação digital
O formato das postagens, muitas vezes com memes e imagens estilizadas, reflete estratégias usadas por grupos de ódio para popularizar suas ideias, explorando o contexto atual de cultura digital e viralidade nas redes sociais.
Cynthia Miller-Idriss, da American University, indica que a eficácia dessas mensagens está na transferência de sentimentos positivos de experiências anteriores para as novas narrativas políticas, facilitando a adesão popular a agendas controversas, como o apoio ao ICE e políticas de deportação em massa.
Debate público e falta de reação ampla
Apesar das conexões evidentes com a retórica extremista, até o momento, poucos líderes políticos democratas se manifestaram contra as postagens. Por outro lado, apoiadores do ex-presidente Trump e grupos alinhados demonstram desinteresse ou justificam as mensagens, aprofundando a polarização.
Sam Markstein, do Republican Jewish Coalition, criticou os ataques à administração, apontando para divergências ideológicas mais amplas no cenário político.
Considerações finais sobre a normalização da retórica extremista
A presença sistemática e crescente desse tipo de conteúdo nas redes oficiais indica uma estratégia comunicacional que busca impactar diferentes audiências simultaneamente: o público geral, simpatizantes conservadores e grupos extremistas.
Heather Woods, da Kansas State University, destaca que o debate sobre a intenção ideológica da mensagem acaba por amplificar seu alcance, enquanto Robert Futrell reforça que termos e símbolos antes considerados marginais agora fazem parte do discurso político mainstream, consolidando um ambiente propício para o crescimento da extrema-direita.
Essas dinâmicas colocam desafios importantes para o entendimento e combate ao extremismo na era digital, sobretudo diante da influência das redes sociais na formação da opinião pública e na legitimação de narrativas polarizadoras.
Fonte: www.nbcnews.com
Fonte: Trump Signs Orders to Revive US Leadership in Nuclear Power
