Paracetamol é seguro na gravidez, indicam evidências contra ligação com autismo

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Estudo abrangente derruba alegações controversas de que o paracetamol aumenta risco de transtornos no desenvolvimento infantil

Revisão rigorosa com estudos robustos confirma que o paracetamol é seguro na gravidez e não eleva risco de autismo, ADHD ou problemas de desenvolvimento.

O uso de paracetamol durante a gravidez é considerado seguro e não está associado a um aumento no risco de autismo, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (ADHD) ou outras condições de desenvolvimento em crianças, conforme evidências de um estudo abrangente publicado na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health.

Contexto do debate sobre o paracetamol na gestação

Em 2025, o presidente dos Estados Unidos causou polêmica ao afirmar que o paracetamol, conhecido no país como acetaminofeno, poderia ser prejudicial para o desenvolvimento fetal, sugerindo que gestantes deveriam evitar o medicamento. Essas declarações provocaram preocupação entre gestantes e profissionais de saúde, levando a um debate global sobre a segurança do fármaco nesse período.

Revisão científica robusta e conclusiva

Para esclarecer a questão, pesquisadores realizaram uma análise de 43 estudos rigorosos com centenas de milhares de participantes, focando especialmente em comparações entre irmãos para controlar diferenças genéticas e ambientais. A metodologia adotada excluiu pesquisas com alto risco de viés e incluiu acompanhamentos de longo prazo — superiores a cinco anos — para avaliar possíveis impactos no desenvolvimento infantil.

A líder do estudo, a professora Asma Khalil, consultora obstetra da City St George’s, University of London, afirmou ao BBC que “não há evidências que associem o paracetamol ao aumento do risco de autismo”. Ela reforça que as gestantes podem continuar a usar o medicamento conforme orientações médicas.

Implicações para a saúde pública e orientações médicas

O paracetamol é a primeira linha recomendada para o controle de dor e febre em gestantes devido ao seu perfil de segurança comprovado. Evitar o uso inadequado do medicamento pode expor a mulher grávida a riscos maiores, como febre alta, que está relacionada a complicações gestacionais, incluindo aborto espontâneo e parto prematuro.

Especialistas independentes acolheram positivamente os resultados, destacando a importância de reduzir o estresse e a ansiedade das gestantes quanto ao uso do paracetamol. Professores Grainne McAlonnan e Ian Douglas, de instituições renomadas no Reino Unido, destacaram a qualidade metodológica da revisão e seu impacto tranquilizador.

Divergências e posições nos Estados Unidos

Apesar da evidência científica apresentada, autoridades americanas, incluindo a FDA, continuam recomendando cautela quanto ao uso excessivo ou prolongado do acetaminofeno durante a gravidez, sem estabelecer uma relação causal definitiva entre o medicamento e condições neurológicas infantis. Em agosto de 2025, um estudo liderado por Andrew Baccarelli sugeriu possíveis riscos associados ao uso intenso do fármaco.

Conclusão do debate científico

A complexidade do autismo e de outros transtornos do neurodesenvolvimento envolve múltiplos fatores genéticos e ambientais, tornando improvável que um único agente, como o paracetamol, seja a causa isolada. A recente revisão sistemática e rigorosa contribui significativamente para a compreensão do tema e reforça a orientação a favor do uso seguro do paracetamol na gestação, afastando temores infundados.

Gestantes devem manter o acompanhamento médico regular e seguir as recomendações profissionais para o uso de medicamentos, garantindo a saúde própria e de seus bebês.

Fonte: www.bbc.com

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