Red Bull questiona eficácia do sistema ADUO em motores de F1

Ben Hodgkinson, Max Verstappen, Laurent Mekies at Red Bull Powertrains-Ford

Diretor técnico da Red Bull critica o mecanismo de handicap para motores na Fórmula 1 e destaca desafios no desenvolvimento

Red Bull critica o sistema ADUO, que limita upgrades em motores de F1, por não refletir os desafios reais do desenvolvimento e defender uma disputa mais aberta.

A Red Bull, por meio do seu diretor técnico da divisão Ford Powertrains, Ben Hodgkinson, levantou questionamentos sobre a eficácia do sistema Additional Development and Upgrade Opportunities (ADUO), que será adotado na Fórmula 1 a partir da temporada 2026 para controlar as atualizações das unidades de potência (power units).

O que é o sistema ADUO?

O ADUO foi criado para evitar que algum fabricante de motores estabeleça uma vantagem dominante e mantenha esse domínio ao longo da temporada, uma situação vista anteriormente com a Mercedes na era turbo híbrida. O mecanismo avalia o desempenho das power units após os Grandes Prêmios 6, 12 e 18 (Miami, Spa-Francorchamps e Singapura, respectivamente). Dependendo da diferença percentual de potência em relação ao motor mais potente, os fabricantes podem receber autorizações para realizar uma ou duas atualizações adicionais.

Críticas da Red Bull ao ADUO

Para Hodgkinson, o sistema não foi pensado levando em conta as complexidades técnicas e temporais envolvidas no desenvolvimento de motores. Ele defende que seria preferível uma “luta franca”, sem homologação ou limitadores, para que o desenvolvimento pudesse ser plenamente competitivo, apesar do teto de custos e limitações de horas em dinamômetro existentes.

O diretor técnico explica que o ciclo de desenvolvimento de uma ideia para power units é muito mais longo que para chassis, pois envolve:

Atualização simultânea de toda a frota de motores da equipe (cerca de 12 unidades), o que aumenta o tempo de implementação.
Necessidade de durabilidade certificada mínima para as novas peças, evitando riscos de falhas.
Processo de fabricação de componentes altamente precisos, que pode levar até 12 semanas.
Testes rigorosos para validar a peça antes da introdução na competição.

Esses fatores tornam improvável que uma equipe consiga desenvolver e implantar um upgrade significativo em poucas semanas, especialmente entre os intervalos de avaliação do ADUO.

Impacto esperado no equilíbrio da competição

Hodgkinson acredita que, mesmo com o sistema, se uma equipe iniciar o campeonato com uma vantagem clara no motor, será difícil para as outras alcançá-la rapidamente. O ADUO oferece um mecanismo para tentar conter essa diferença, mas sua efetividade é limitada pela logística e pelo tempo de desenvolvimento.

Contexto para 2026 e além

A Fórmula 1 passará por mudanças significativas nas regras de motores em 2026, incluindo uma divisão próxima de 50% entre potência elétrica e combustão interna. A categoria tem interesse em evitar dominâncias prolongadas para aumentar a competitividade.

Além disso, a Red Bull e a Mercedes estariam explorando interpretações das regras sobre taxa de compressão dos motores, o que pode impactar o equilíbrio da competição e gerar debates regulatórios.

Conclusão

A análise da Red Bull evidencia que o sistema ADUO, apesar de bem-intencionado para conter desigualdades, enfrenta limitações práticas que podem reduzir seu impacto real na temporada. O debate sobre o formato ideal de desenvolvimento e regulamentação dos motores continuará nos bastidores da Fórmula 1, à medida que as equipes se preparam para um novo ciclo técnico e esportivo.

Fonte: www.autosport.com

Fonte: Ben Hodgkinson, Max Verstappen, Laurent Mekies at Red Bull Powertrains-Ford

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