Análise da rejeição americana às ações internacionais de Donald Trump e suas consequências
A desaprovação da política externa de Trump, evidenciada por pesquisas, pode comprometer sua influência política nas eleições futuras.
Desaprovação crescente da política externa de Trump
Pesquisas recentes revelam uma desaprovação significativa da política externa do ex-presidente Donald Trump entre os americanos. Conforme levantamento da Quinnipiac, 57% rejeitam a ideia de que Trump “controle” a Venezuela, 73% são contra o envio de tropas para lá e 86% desaprovam uma ação militar nos territórios autônomos como Greenland. Além disso, 61% desaprovam sua política externa de forma geral, segundo pesquisa AP-NORC.
O que está por trás das ações no exterior
A postura de Trump tem sido marcada por tentativas de expansão e controle, como sua autodenominada “Donroe Doctrine”, referência distorcida à histórica Doutrina Monroe. Seu interesse na Venezuela inclui o controle do petróleo e da economia local, além de tentativas polêmicas de influenciar a política interna do país. Paralelamente, o ex-presidente manifestou interesse em anexar ou comprar Greenland, provocando forte rejeição internacional e tensões diplomáticas com aliados tradicionais dos EUA.
Política externa versus economia doméstica
Enquanto Trump foca em ações audaciosas no exterior, sua gestão tem sido criticada por negligenciar problemas econômicos domésticos, como a crise no custo de vida. Sua postura de desdém diante das dificuldades econômicas da população contribui para o aumento do índice de desaprovação política, colocando-o em patamares semelhantes aos da rejeição às suas decisões externas.
Lições históricas e o paradoxo da força
Análises históricas mostram que presidentes americanos que se sobressaíram na política externa, como George H.W. Bush, enfrentaram as consequências políticas de não darem atenção adequada à economia doméstica. Trump, ao construir uma imagem de força e domínio, pode estar repetindo esse ciclo, onde sua aparente força se torna fator de desgaste político. O “wimp factor” enfrentado pelos Bush se traduz, no caso de Trump, em uma sobreposição de teatralidade e real rejeição popular.
Implicações para o futuro político
Com as eleições de meio mandato se aproximando, a desaprovação da política externa e da situação econômica coloca em risco a coesão dos republicanos, que têm se mostrado submissos à imagem forte, porém contestada, do ex-presidente. A continuidade dessa dinâmica pode enfraquecer o partido e abrir espaço para mudanças no cenário político americano, evidenciando que a postura imperialista e controversa de Trump pode custar caro a ele e a seus aliados.
Reflexão sobre a moralidade e o poder
Em suas ações, Trump tem evocado uma moralidade baseada na força pessoal e na vontade, ignorando leis internacionais e normas democráticas. Essa visão, que lembra conceitos filosóficos de Nietzsche sobre o “vontade de poder”, tem gerado polêmica e tensões internas e externas. Sua conduta reflete uma política externa pautada na autossuficiência e no desprezo a acordos globais, o que tem contribuído para o isolamento e a crítica pública.
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Foto: Gripas Yuri/ABACA/Shutterstock (16340334m)
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: Photo by Gripas Yuri/ABACA/Shutterstock (16340334m
