Fenômeno La Niña dificulta avanço de frentes frias e agrava seca no estado
Chuvas abaixo da média em São Paulo persistem e agravam a seca severa no estado, impactando reservatórios e abastecimento da região metropolitana.
A persistência de chuvas abaixo da média em São Paulo intensifica uma crise hídrica que já se arrasta desde 2024. O fenômeno La Niña, presente no Oceano Pacífico, tem causado uma alta anômala que dificulta o avanço de frentes frias pelo Sul do Brasil e a chegada de umidade do Atlântico e da Amazônia, essenciais para a reposição hídrica na região metropolitana.
Impactos do fenômeno La Niña na seca paulista
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o estado de São Paulo está em condição de seca severa ou extrema desde janeiro de 2024, com exceção do norte paulista que registra seca severa. A média de chuvas está abaixo do histórico em quase todas as estações da região metropolitana, com exceção do Mirante de Santana, que superou a média em janeiro.
O meteorologista Leydson Dantas, do Inmet, explica que essa condição deve se manter durante o primeiro trimestre de 2026, abrangendo regiões que vão do sul da mesorregião de Bauru e Itapetininga até a capital paulista. A expectativa de melhora só surge a partir do segundo semestre, com possível enfraquecimento do La Niña, avaliado em 75% de probabilidade pelo National Oceanic and Atmospheric Administration (Noaa).
Reservatórios em níveis críticos e medidas emergenciais
Os principais reservatórios que abastecem São Paulo enfrentam níveis críticos. O Sistema Integrado Metropolitano, monitorado pela Sabesp, estava em 27,7% da capacidade em 16 de janeiro, valor equivalente ao registrado em 2016 após a seca histórica de 2015. O sistema Cantareira, maior manancial da capital, detém apenas 19,39% do volume, enquanto o reservatório de Jaguari-Jacareí, responsável por grande parte do Cantareira, está em 16,89%.
Para enfrentar a crise, a Sabesp ampliou a captação de água no sistema Alto Tietê, incorporando o Rio Itapanhaú, além de investir em modernização de equipamentos e ações para diminuir o desperdício, como melhorias nas tubulações e estações de tratamento. Desde agosto de 2025, o abastecimento noturno tem sido reduzido ou suspenso em algumas áreas.
Desafios estruturais e climáticos
A Sabesp destaca que a disponibilidade hídrica per capita na região metropolitana é extremamente baixa — cerca de 149 m³ por habitante por ano — número comparável a regiões semiáridas e muito inferior ao recomendado internacionalmente. Tal cenário é consequência da alta densidade populacional e da oferta natural limitada de água na bacia.
Além disso, as mudanças climáticas têm tornado as chuvas mais irregulares, com episódios frequentes de ondas de calor que elevam a demanda e agravam a escassez.
Perspectivas e impactos regionais
Segundo o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA), divulgado em janeiro de 2026 com dados de dezembro, a seca severa e extrema afeta especialmente o noroeste e leste paulista a longo prazo. Enquanto isso, o Sul do país — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — assim como Argentina e Uruguai, devem experimentar chuvas intensas enquanto o La Niña estiver ativo.
Na Região Nordeste, a seca extrema avançou em áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia. Minas Gerais apresenta intensificação das áreas com seca grave e moderada, enquanto o Sudeste registra aumento em regiões de seca em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Considerações finais
A continuidade das chuvas abaixo da média em São Paulo reforça a urgência em políticas de gestão hídrica eficientes e a adaptação à nova realidade climática. A expectativa de melhora só para o segundo semestre aponta para meses de atenção máxima no abastecimento e uso racional da água, especialmente na região metropolitana da capital.
Fonte: jovempan.com.br
Fonte: O monitoramento da ANA no sistema Cantareira, com 19,39% do volume de seus reservatórios, é o maior manancial da região, sendo responsável por mais de 40% do vo
