Associação de delegados da Polícia Federal questiona mudanças no manejo das investigações sob comando do ministro
Decisões do ministro Dias Toffoli sobre o acesso e análise das provas da Operação Master geram críticas da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal.
Decisões de Toffoli mudam condução das provas da Operação Master
No dia 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, adotou medidas que restringiram o acesso da Polícia Federal às provas recolhidas durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. A custódia e a análise dos dados passaram a ser responsabilidade da Procuradoria-Geral da República (PGR), uma decisão inédita e alvo de críticas da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).
Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal reage
Em nota pública divulgada em 17 de janeiro, a ADPF qualificou as decisões do ministro como “atípicas” e causadoras de “legítima perplexidade institucional”. A entidade destacou que tais medidas destoam dos protocolos institucionais da Polícia Federal e representam uma afronta às prerrogativas legais dos delegados para conduzir investigações criminais de maneira técnica, imparcial e eficiente.
A associação reforçou que a colaboração entre STF e PF é uma prática consolidada e que as investigações seguem metodologias próprias, baseadas em protocolos técnicos consagrados. Além disso, ressaltou que, mesmo internamente, a designação de peritos não ocorre por escolha pessoal de autoridades, o que contraria a indicação feita por Toffoli para o acompanhamento da perícia sob supervisão da PGR.
Contexto das operações e medidas judiciais
A Operação Compliance Zero, realizada em 14 de janeiro, cumpriu novas ações de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Também decretou a prisão temporária de Fabiano Campos Zettel, investidor e cunhado de Vorcaro. Outros alvos da operação incluem o empresário Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos.
As medidas foram justificadas pela necessidade de novas diligências diante da evidência de novos ilícitos. O ministro Toffoli sustentou que a transferência da custódia das provas permitirá ao Ministério Público Federal ter uma visão sistêmica dos supostos crimes de grande proporção identificados até então.
Impacto financeiro e bens bloqueados
Durante a operação, a Polícia Federal executou bloqueios e sequestros de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. Entre os ativos apreendidos estão veículos importados de luxo, como BMW e Land Rover, além de armas de fogo, munições e relógios valiosos.
Expectativas para a cooperação institucional
A ADPF declarou esperar que Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal restabeleçam, com a celeridade necessária, uma atuação institucional harmônica e cooperativa. A controvérsia em torno da condução da Operação Master evidencia tensões no equilíbrio entre órgãos investigativos e o sistema judicial, ressaltando os desafios na condução de grandes investigações criminais complexas no país.

Agentes da Polícia Federal durante operação. Foto: PF/Divulgação
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: PF/Divulgação
