Investimentos de Trump em Netflix e Warner Bros. geram dúvidas sobre conflito de interesses

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Compra de até US$ 51 milhões em títulos coincide com megafusão entre as empresas de mídia

Investimentos de Trump em Netflix e Warner Bros. coincidem com fusão bilionária e levantam questões éticas sobre conflitos de interesse.

O presidente Donald Trump realizou compras significativas de títulos financeiros entre novembro e dezembro de 2025, incluindo investimentos em Netflix e Warner Bros. Discovery, conforme revelou uma declaração financeira obrigatória enviada à Agência de Ética do Governo dos Estados Unidos.

Detalhes das transações e contexto da fusão

Entre as 191 transações reportadas, destacam-se duas compras de títulos da Netflix e duas da Discovery Communications (parte da Warner Bros. Discovery), com valores individuais estimados entre US$ 250 mil e US$ 500 mil. Essas aquisições ocorreram dias após o anúncio de uma fusão avaliada em US$ 72 bilhões entre Netflix e Warner Bros. Discovery, um movimento que combina grandes ativos de mídia, incluindo estúdios e serviços de streaming.

Paralelamente, a Warner Bros. Discovery planeja dividir suas operações em duas empresas de capital aberto em 2026, com a Netflix adquirindo a parte Warner, enquanto a outra metade, Discovery Global, continuará a abrigar canais como a CNN.

Questões éticas e potenciais conflitos de interesse

Especialistas em ética pública expressaram preocupações devido ao fato de Trump declarar que estaria envolvido nas decisões regulatórias relativas à fusão, enquanto mantém investimentos financeiros relevantes nas empresas envolvidas. Ann Skeet, diretora de ética da Universidade Santa Clara, destacou que a situação pode gerar conflito entre os interesses privados do presidente e suas responsabilidades públicas.

Richard Painter, ex-advogado chefe de ética sob o governo George W. Bush, enfatizou que, embora o conflito de interesses não seja o mais grave em comparação com outras questões envolvendo Trump, a ausência de esforços para evitar tais situações é inédita na presidência americana. Historicamente, outros presidentes optaram por manter distância de possíveis conflitos, mesmo que a legislação federal não os obrigue.

Gestão dos investimentos e outras aquisições

A Casa Branca informou que a carteira de ações e títulos de Trump é gerida de forma independente por instituições financeiras terceirizadas que utilizam modelos computacionais para seguir índices reconhecidos, como o Schwab 1000. Segundo o comunicado, nem Trump nem sua família têm influência direta sobre decisões de compra ou venda desses ativos.

Além dos títulos da Netflix e Warner Bros. Discovery, o presidente também comprou dívidas de empresas como Boeing, Macy’s, Victoria’s Secret e General Motors durante o mesmo período, o que amplia o espectro de seus interesses financeiros pessoais.

Contexto político e empresarial

O ambiente político ao redor da fusão é complexo. A Paramount, liderada pelo CEO David Ellison, lançou uma tentativa hostil de aquisição da Warner Bros. para impedir a venda à Netflix. Ellison e seu pai, Larry Ellison, cofundador da Oracle, têm vínculos estreitos com Trump, inclusive com apoio à sua carreira política.

Trump anunciou publicamente que estaria envolvido nas decisões regulatórias sobre a transaçãoção, o que reforça as preocupações sobre potenciais influências indevidas na regulação de uma operação que impacta diretamente seus investimentos privados.

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