A atriz Lena Headey, de 52 anos, conhecida por interpretar a icônica Cersei Lannister na série "Game of Thrones", manifestou sua preocupação com a tolerância da indústria do cinema em relação a homens que têm um histórico de comportamento abusivo. Em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph, ela destacou que esse problema é estrutural em Hollywood.
Headey já havia denunciado o produtor Harvey Weinstein, de 74 anos, que cumpre pena por crimes sexuais, por ter feito comentários sugestivos e tentado atraí-la para um quarto de hotel. Agora, a atriz afirma que sua indignação vai além de casos individuais, refletindo uma cultura que permitiu que abusos fossem ignorados por muito tempo.
"A proteção estranha que oferecemos a homens com comportamento predatório nesse meio, devido ao poder desproporcional que eles exercem, contrasta com a necessidade de atrizes vulneráveis de trabalharem para garantir seu sustento. Isso me deixa muito chateada. Um trabalho pode ser completamente arruinado por uma pessoa que, por algum motivo, tem passe livre para sair impune", afirmou.
A artista elogiou o movimento "MeToo", que ganhou força em 2017 e contribuiu para mudanças significativas na indústria, incentivando mulheres a denunciarem assédios e abusos. "Foi apenas quando o movimento 'MeToo' explodiu que percebemos: 'Ah, isso está em todos os lugares'. A maioria das jovens mulheres com quem converso hoje nesse meio é muito consciente. A atitude agora é: 'Eu não vou passar por essa p**'."
Apesar de avanços como a presença de coordenadores de intimidade nas produções, Lena Headey acredita que os atores ainda enfrentam situações desconfortáveis em cenas íntimas. "Mesmo hoje, você pode estar em um set onde ninguém realmente se importa [com os atores]. Você pode estar fazendo uma cena de nudez e alguém vai dizer: 'Ok, use este grande tapete irregular para cobrir sua virilha'. Mas agora estou na casa dos 50 anos e sinto que tenho mais controle. É uma situação diferente."
A atriz também relembrou como era sua experiência no início da carreira. "Quando comecei, havia esse rito de passagem pelo qual todas as jovens atrizes tinham que passar, geralmente envolvendo beijos, se apaixonar, fazer sexo e mostrar os seios. Eles chamavam de papéis de mocinha, para tornar aquilo mais palatável. Eu simplesmente fazia o que precisava. Não fiz curso de teatro, então chegava a um set e pensava: 'Meu Deus, tenho um trabalho'. E, quando chegavam esses momentos, eu nem questionava se estava segura. Em vez disso, eu ia para casa e chorava."