Ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública teve trajetória marcada por atuações em diferentes governos e enfrentamento de crises políticas
Raul Jungmann morre aos 73 anos em Brasília após enfrentar câncer no pâncreas. Ex-ministro atuou em diversas pastas e manteve influência política até os últimos anos.
Raul Jungmann morre em Brasília após longa trajetória política
Raul Jungmann morreu na noite de domingo (17), aos 73 anos, em Brasília, vítima de câncer no pâncreas diagnosticado em meados de 2024. Internado no hospital DF Star, Jungmann enfrentou a doença com tratamento que evoluiu para fase paliativa em 2025, mas manteve sua atuação política até o fim. Sua morte marca o fim de uma trajetória que mesclou experiências nos mais diversos campos do poder.
Carreira política multifacetada
Nascido em Recife (PE), Jungmann iniciou sua militância no antigo Partido Comunista Brasileiro durante a ditadura militar, sendo eleito vereador na capital pernambucana. Participou ativamente da fundação do PPS, e transitou por outras legendas como MDB, refletindo um perfil político flexível e adaptável a diversos contextos.
Sua carreira ministerial é ampla: ocupou as pastas do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário e Políticas Fundiárias no governo Fernando Henrique Cardoso. Nesse período, destacou-se pela condução da reforma agrária, mesmo enfrentando resistência tanto do MST quanto dos ruralistas durante episódios tensos, como o massacre de Eldorado do Carajás.
Eleito deputado federal pelo PPS, exerceu mandatos entre 2003 e 2011, e novamente de 2015 a 2016, consolidando sua presença no Congresso. Em 2017, assumiu o Ministério da Defesa no governo Temer, cargo do qual saiu para chefiar o recém-criado Ministério da Segurança Pública, comandando a intervenção federal no Rio de Janeiro. Durante esse período, enfrentou crises agudas, como o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, episódio que ele caracterizou como parte da “metástase do Estado paralelo”.
Relação com as Forças Armadas e atuação institucional
No governo Temer, Jungmann estabeleceu laços estreitos com a cúpula militar, especialmente com o general Eduardo Villas Bôas. Atuou como interlocutor entre Executivo, Forças Armadas e Judiciário em momentos de tensão institucional. Em 2016, foi um dos signatários do pedido que impediu a posse de Lula na Casa Civil, medida respaldada pelo Supremo Tribunal Federal.
Mesmo fora do Executivo, manteve relevância política, sendo consultado durante episódios de instabilidade no governo Bolsonaro. Em 2021, seu alerta sobre riscos de ruptura institucional antecipou acontecimentos críticos de 2023, demonstrando sua visão estratégica sobre o cenário político.
Compromisso ambiental e setor privado
Nos últimos anos, Jungmann presidiu uma associação ligada ao setor de mineração, com foco em ações relacionadas à tragédia de Brumadinho e à agenda ambiental. Apesar das limitações impostas pela doença, foi ativo na coordenação de iniciativas para reformular o marco legal das Forças Armadas, em parceria com o ministro José Múcio, projeto que não foi concluído.
Vida pessoal e legado
Filho do jornalista Sylvio Jungmann da Silva Pinto, Raul teve uma trajetória marcada pelo diálogo aberto com a imprensa e estilo informal. Pai de dois filhos, viveu em Brasília com sua companheira Natalie. Sua passagem pela política é lembrada pela capacidade conciliadora e por atuar em momentos críticos do país, deixando um legado de articulação entre diferentes forças políticas e institucionais.
Raul Jungmann deixa um vácuo no cenário político brasileiro, especialmente nas áreas de defesa e segurança pública, onde sua atuação contribuiu para o enfrentamento de crises complexas e para a tentativa de fortalecimento institucional.
Fonte: www.conexaopolitica.com.br
Fonte: Tomaz Silva/ABr
