Homossexualidade em primatas está relacionada a fatores ambientais

1 de 1 Macacos - Foto: Freepik

Pesquisa revela que ambientes hostis e estruturas sociais complexas influenciam comportamento homossexual em primatas

Estudo indica que homossexualidade em primatas está ligada a ambientes hostis, predadores e complexidade social.

O comportamento homossexual em primatas é um fenômeno complexo influenciado por múltiplos fatores ambientais e sociais, conforme revela estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution em janeiro de 2026. A pesquisa reuniu dados de 491 espécies de primatas não humanos, identificando manifestações homossexuais em 59 delas, o que indica uma presença significativa e ampla desse comportamento no reino animal.

Raízes evolutivas da homossexualidade em primatas

Os pesquisadores apontam que a homossexualidade tem uma “raiz evolutiva profunda”, evidenciada pela presença consistente em várias espécies que habitam diferentes regiões do mundo, incluindo lêmures, grandes símios e macacos das Américas, África e Ásia. Entre essas, 23 espécies apresentaram comportamentos repetitivos, o que reforça o caráter autêntico e adaptativo desse fenômeno.

Influência do ambiente hostil e da presença de predadores

Um dos fatores que mais se destacam na manifestação de comportamentos homossexuais é o ambiente onde os primatas vivem. Espécies que habitam locais com escassez de alimentos ou enfrentam alta pressão de predadores apresentam maior incidência desses comportamentos. Por exemplo, os macacos-de-gibraltar enfrentam ambientes com recursos limitados, enquanto os macacos-vervet convivem com predadores perigosos como grandes felinos e cobras na África, circunstâncias que podem favorecer interações sociais diversificadas para fortalecimento dos grupos.

Estrutura social e hierarquias complexas como determinantes

Além do ambiente físico, a estrutura social e as hierarquias complexas são determinantes para a ocorrência do comportamento homossexual. Espécies como babuínos-da-guiné, que apresentam sistemas sociais complexos e dinâmicas hierárquicas refinadas, demonstram maior frequência desses comportamentos, que podem estar ligados a estratégias sociais e reprodutivas específicas.

Casos emblemáticos: gorilas-das-montanhas, chimpanzés e babuínos-da-guiné

O estudo ressalta que espécies com dimorfismo sexual acentuado, como o gorila-das-montanhas, e aquelas com longa expectativa de vida, como os chimpanzés, também manifestam comportamentos homossexuais com maior regularidade. No caso dos chimpanzés, que podem viver até 60 anos, machos jovens ou idosos tendem a se relacionar mais com outros machos, especialmente quando não estão reprodutivamente ativos. Babuínos-da-guiné seguem padrões semelhantes, indicando que tais comportamentos podem ter funções sociais e reprodutivas específicas dentro dos grupos.

Implicações para a compreensão da evolução social dos primatas

Essas descobertas desafiam visões simplistas sobre comportamento sexual animal, mostrando que a homossexualidade em primatas não é um comportamento isolado ou anômalo, mas sim uma estratégia adaptativa influenciada por fatores ambientais e sociais. Além disso, reforçam a importância de considerar a complexidade das interações sociais e a pressão ambiental para entender as dinâmicas evolutivas desses animais.

O estudo contribui para a ampliação do conhecimento científico sobre o comportamento animal e a evolução da sexualidade, destacando a variedade e a flexibilidade dos comportamentos sexuais entre os primatas, que refletem a diversidade e a complexidade dos ecossistemas onde vivem.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: 1 de 1 Macacos – Foto: Freepik

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