Aumento de pedidos de asilo no país europeu revela desafios enfrentados por pessoas trans na América
Refugiados transgêneros americanos buscam asilo no centro de Ter Apel, Holanda, fugindo da hostilidade crescente nos EUA durante o governo Trump.
Refugiados transgêneros americanos na Holanda
Desde 2025, o centro de acolhimento para refugiados de Ter Apel, localizado na fronteira da Holanda com a Alemanha, tem recebido um número crescente de solicitantes de asilo americanos, em sua maioria pessoas transgêneras. Esse fenômeno contrasta com a percepção comum de que os EUA seriam um país seguro e próspero, indicando uma realidade de medo e exclusão para essa comunidade.
O contexto da hostilidade nos EUA
Com a reeleição de Donald Trump e seu discurso político agressivo contra direitos LGBTQIA+, especialmente das pessoas trans, a situação nos EUA se agravou. Políticas oficiais passaram a negar o reconhecimento federal da identidade de gênero, e ataques verbais e físicos contra transgêneros se tornaram mais frequentes. Para muitos, isso significou um ambiente hostil onde sair de casa podia ser sinônimo de risco à vida.
A trajetória dos refugiados trans
Pessoas como Jane-Michelle Arc, que morava em San Francisco e sofreu abusos constantes, decidiram buscar asilo na Holanda após temerem por suas vidas. A chegada ao país europeu, porém, não garantiu alívio imediato: o centro em Ter Apel, apesar de oferecer abrigo, se assemelha a uma prisão, com restrições e condições precárias. Mesmo assim, muitos encontram ali uma comunidade de apoio entre outras pessoas trans e LGBTQIA+ de diferentes nacionalidades.
Desafios legais e sociais para o reconhecimento do asilo
O sistema de asilo holandês é rigoroso e exige comprovação de perseguição grave e falha de proteção pelo governo de origem. Embora os relatos de abuso e discriminação sejam numerosos, a Holanda não reconhece os EUA como um país inseguro para refugiados transgêneros, dificultando a concessão do status de asilado. Essa postura reflete também preocupações políticas internacionais e o temor de impactar a relação com os EUA.
Impactos emocionais e futuros incertos
O medo de deportação pesa sobre os refugiados, que enfrentam a possibilidade de serem forçados a retornar a um ambiente onde o acesso a tratamento hormonal e direitos básicos está sendo negado. A pressão psicológica é intensa, com relatos de tentativas de suicídio entre jovens trans em abrigos. A luta por reconhecimento e segurança permanece um desafio urgente para essa população.
A crescente demanda de asilo por parte de refugiados transgêneros americanos na Holanda expõe não apenas uma crise humanitária específica, mas também a necessidade de repensar políticas internacionais de proteção a direitos humanos em contextos de crescente intolerância.
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: Judith Jockel/The Guardian
