Tarifa de Trump a Groenlândia expõe vulnerabilidade da dívida dos EUA

President Donald Trump

Deutsche Bank alerta que a ameaça de tarifas americanas revela fragilidade do déficit nacional

A ameaça de tarifas de Trump a países europeus por causa de Groenlândia revela a fragilidade da dívida dos EUA, segundo o Deutsche Bank.

A recente ameaça do presidente Trump de impor tarifas a países europeus caso eles não apoiem a compra de Groenlândia pelo Estados Unidos trouxe à tona uma fragilidade crucial da economia americana: seu volumoso déficit público. A medida, anunciada em sua plataforma Truth Social, estipula tarifas de 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026, escalando para 25% em junho, até que um acordo seja fechado para a aquisição total do território.

Contexto da disputa em Groenlândia

Trump justifica a compra de Groenlândia por razões de segurança nacional, alegando a crescente influência da China e da Rússia na região e a suposta incapacidade da Dinamarca, país soberano do território autônomo, em defendê-lo. A reação dos países europeus foi negativa, com líderes demonstrando exaustão diante das contínuas tensões comerciais e militares com os EUA.

Impactos econômicos e reação dos mercados

Analistas do Deutsche Bank, como Jim Reid, destacam que os mercados financeiros podem ser decisivos para o desfecho do conflito. A resposta recente dos investidores, que buscaram segurança após anúncios de tarifas, evidencia preocupações sobre a capacidade dos EUA em sustentar seus déficits gêmeos — orçamentário e em conta corrente. Essa vulnerabilidade financeira é apontada como o “calcanhar de Aquiles” da potência norte-americana.

Dívida americana e dependência europeia

Os Estados Unidos possuem uma dívida pública de aproximadamente US$ 38 trilhões, com cerca de US$ 8 trilhões detidos por investidores estrangeiros, especialmente europeus. Essa interdependência financeira confere à União Europeia uma posição de influência, podendo, teoricamente, usar essa alavancagem para pressionar Washington em disputas comerciais e políticas.

Ferramentas de retaliação da União Europeia

Além da influência financeira, a UE dispõe do Instrumento Anti-Coerção (ACI), concebido para coibir interferências externas nas políticas europeias. O ACI permite a implementação de medidas como restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu, proibição de licitações governamentais, restrições comerciais e limitações a investimentos estrangeiros. Ademais, a UE pode impor tarifas sobre US$ 100 bilhões em importações americanas, ampliando seu arsenal de resposta.

Perspectivas para futuras negociações

Especialistas do Goldman Sachs indicam que a ativação do ACI sinalizaria a possibilidade de ações concretas, mas também abriria espaço para negociações diplomáticas. As medidas podem abranger diversas áreas, incluindo tributação de ativos e serviços, setor em que a UE mantém superávit em relação aos EUA, o que ampliaria o impacto do possível conflito.

A situação expõe não apenas uma disputa territorial, mas uma complexa dinâmica econômica e política entre as maiores potências globais, cuja resolução dependerá do equilíbrio entre interesses estratégicos e financeiros.

Fonte: fortune.com

Fonte: President Donald Trump

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