Tensão crescente entre Berlim e Washington reflete desafios na parceria transatlântica sob a presidência de Donald Trump
A relação entre Alemanha e EUA enfrenta tensões inéditas após um ano da segunda gestão de Donald Trump, evidenciadas pela disputa sobre a Groenlândia e tarifas comerciais.
A relação entre Alemanha e Estados Unidos, tradicionalmente sólida, encontra-se em um ponto crítico após um ano da segunda gestão do presidente Donald Trump. A keyphrase “Ruptura Alemanha EUA” reflete as tensões acumuladas, que vêm se intensificando em 2025, com episódios que colocam à prova a aliança transatlântica.
Contexto das tensões bilaterais
Desde o início do segundo mandato de Trump, os laços políticos e militares entre Berlim e Washington têm enfrentado desafios inéditos. O anúncio presidencial de tarifas especiais contra produtos europeus, incluindo os alemães, agravou o cenário comercial e econômico. Além disso, a disputa envolvendo a Groenlândia, território sob soberania dinamarquesa, desencadeou uma crise diplomática após declarações e ações consideradas agressivas por aliados da OTAN.
A controvérsia da Groenlândia e suas implicações
A questão da Groenlândia tornou-se um símbolo das divergências. A sugestão de Trump para aquisição da ilha, seguida por demandas e movimentações militares, foi recebida com forte rejeição por Dinamarca e Alemanha. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que qualquer violação da soberania seria um ponto de ruptura definitiva na aliança. Para especialistas como o professor Johannes Varwick, esse episódio pode representar o “ponto de não retorno” na relação bilateral, exigindo que ambas as partes recalibrem seus vínculos a partir do zero.
Impactos econômicos e estratégicos
A imposição de tarifas pelo governo Trump afeta substancialmente a economia alemã, dada sua dependência do comércio exterior. Além disso, a postura do presidente americano em relação ao conflito na Ucrânia e sua aparente inclinação para negociar com Vladimir Putin geram inquietação em Berlim, que vê a segurança europeia ameaçada. O chanceler Friedrich Merz, defensor da parceria transatlântica, tenta equilibrar o diálogo com a administração americana e a manutenção dos valores de direito internacional e ordem baseada em regras.
Perspectivas para a aliança transatlântica
Apesar das tensões, analistas como Rachel Tausendfreund avaliam que os EUA não abandonam a Europa, mas procuram redefinir seu papel na segurança regional, buscando reduzir sua participação direta. Merz trabalha para consolidar uma posição europeia unificada, embora as divergências internas dificultem esse processo. O clima político em Berlim revela dúvidas sobre a confiabilidade dos EUA como parceiro estratégico.
O desafio do futuro e a opinião pública
A turbulência no relacionamento bilateral tem reflexos na opinião pública alemã, com pesquisas indicando baixa confiança nos Estados Unidos como parceiro. O convite feito por Merz para uma visita de Trump à Alemanha, antes da escalada recente, parece hoje pouco provável de se concretizar. O cenário aponta para uma necessária adaptação da Alemanha às novas dinâmicas internacionais, diante de um ambiente marcado por “imperialismo” e políticas de “muito poder” que remetem a um passado menos cooperativo.
A “Ruptura Alemanha EUA” é, portanto, um fenômeno multifacetado que envolve diplomacia, economia, segurança e percepção pública, e que deverá moldar o futuro da cooperação transatlântica nos próximos anos.
Fonte: www.dw.com
Fonte: AFP
