Parceria entre Mercosul e União Europeia prevê eliminação gradual de tarifas para ampliar comércio bilateral
O acordo Mercosul UE deve zerar tarifas para 8.887 produtos em até 10 anos, com impacto significativo no comércio bilateral.
O acordo Mercosul UE representa um marco na relação comercial entre América do Sul e Europa, projetando a eliminação de tarifas alfandegárias para 8.887 produtos brasileiros em até 10 anos. Essa redução progressiva das taxas de importação e exportação busca impulsionar as negociações entre os blocos, aumentando a competitividade e simplificando os procedimentos aduaneiros.
Escalonamento da eliminação de tarifas
Assim que o acordo entrar em vigor, 5.090 produtos (54,3% do total) terão suas tarifas abolidas. Os demais serão contemplados em etapas:
Após 4 anos: mais 1.703 produtos
Após 7 anos: 656 produtos
Após 8 anos: 849 produtos
Após 10 anos: 589 produtos
Com isso, ao final de uma década, a cifra de produtos beneficiados atingirá 8.887.
Impactos para os setores econômicos
O agronegócio brasileiro, que inclui carne bovina, suína, aves, açúcar, etanol, café, suco de laranja e celulose, é um dos principais beneficiados, com maior acesso ao mercado europeu. Por outro lado, a União Europeia reduzirá tarifas em produtos como vinhos, destilados, chocolates, azeite e queijos, favorecendo o comércio mútuo.
Além das tarifas, o pacto prevê:
Redução de exigências técnicas e burocráticas
Reconhecimento mútuo de padrões sanitários e indicações geográficas
Essas medidas tendem a facilitar o fluxo comercial e a harmonizar normas entre as regiões.
Tarifas sobre importações no Brasil
Para produtos importados do bloco europeu, o Brasil também adotará a redução progressiva das tarifas para cerca de 4,4 mil itens, em um cronograma que pode se estender até 15 anos. Dados de 2024 indicam que já 82,7% das exportações brasileiras à UE entram no bloco sem tarifa atualmente, e o acordo ampliará esse percentual.
Contexto e importância do acordo
A formalização do acordo ocorreu em uma cerimônia em Assunção, no Paraguai, país que preside o Mercosul. Após 26 anos de negociações iniciadas em 1999, a aprovação em 9 de janeiro de 2026 representa uma retomada estratégica das relações comerciais diante de mudanças no cenário global, como a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sob a administração Trump.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, destacou que o momento é oportuno para a economia brasileira, pois a integração comercial com a União Europeia pode acelerar o crescimento do setor industrial e impulsionar exportações.
Expectativas para o futuro
Com a entrada em vigor do acordo, o Brasil ampliará a abrangência de seus acordos preferenciais de comércio, saltando de 8% para 36% das importações mundiais de bens cobertas por tratados, o que pode fortalecer a posição do país no mercado global.
A parceria entre Mercosul e União Europeia está desenhada para equilibrar interesses, promover competitividade e simplificar procedimentos, contribuindo para o desenvolvimento econômico sustentável dos países envolvidos.
Fonte: www.metropoles.com
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