Justiça britânica mantém responsabilidade da BHP no desastre de Mariana

(Antonio Cruz/Agência Brasil

Decisão do tribunal de Londres rejeita recurso da mineradora e avança processo de indenização às vítimas

Tribunal britânico rejeita recurso da mineradora BHP e confirma sua responsabilidade pelo rompimento da barragem do Fundão em Mariana.

A Justiça britânica confirmou nesta segunda-feira (19/1) a responsabilidade da mineradora australiana BHP pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015. A decisão do Tribunal Superior de Londres rejeitou o recurso da empresa e abre caminho para a indenização de cerca de 620 mil pessoas diretamente afetadas pelo desastre.

Contexto do desastre

Em 5 de novembro de 2015, a barragem operada pela Samarco, controlada pela BHP e a Vale, rompeu-se, liberando uma avalanche de lama tóxica que percorreu aproximadamente 650 quilômetros pelo Rio Doce até o Oceano Atlântico. O desastre ambiental provocou 19 mortes, deixou mais de 600 pessoas desabrigadas, devastou ecossistemas protegidos e causou a morte de milhares de animais.

Decisão judicial e suas implicações

O julgamento, concluído em 14 de novembro de 2025, considerou a BHP “estritamente responsável” pela poluição e pelos danos causados, citando negligência da empresa. O tribunal concluiu que o recurso apresentado tinha “poucas chances de sucesso” e, portanto, manteve a sentença inicial. Apesar disso, a BHP anunciou intenção de recorrer novamente.

Próximos passos para as indenizações

O valor das indenizações será debatido em uma nova fase judicial, com início previsto para outubro de 2026. Estimativas do escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa os requerentes, apontam uma disputa financeira na ordem de 36 bilhões de libras (cerca de 41 bilhões de euros), embora o montante final dependa do número de vítimas aceitas no processo.

Impacto para as vítimas

A decisão representa um avanço significativo na busca por justiça para as milhares de pessoas afetadas pela maior tragédia ambiental da história do Brasil, conforme destacaram os representantes das vítimas. A ação judicial no Reino Unido ocorre devido a uma das sedes da BHP estar localizada em Londres, o que possibilitou o julgamento na capital britânica.

Contexto corporativo e ambiental

A tragédia de Mariana evidenciou os riscos ambientais associados à mineração e a necessidade de maior fiscalização e responsabilidade social por parte das empresas do setor. O rompimento da barragem gerou repercussão internacional e impulsionou debates sobre sustentabilidade, segurança industrial e direitos das comunidades impactadas.

A continuidade do processo judicial será determinante para as futuras políticas de reparação e prevenção de desastres ambientais envolvendo grandes corporações multinacionais.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: (Antonio Cruz/Agência Brasil

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