Com mais de 10 milhões de mulheres empreendendo no país, setor de alimentação impulsiona negócios liderados por elas e especialista defende profissionalização da confeitaria como caminho para independência financeira
O empreendedorismo feminino vive um momento histórico no Brasil. Dados do Sebrae mostram que o país encerrou 2025 com 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios, o maior número já registrado. Na última década, o empreendedorismo feminino cresceu 27%, índice 16 pontos percentuais superior ao observado entre os homens.
Entre os segmentos que mais atraem essas empreendedoras está o de alimentação. Segundo o Sebrae, 6 em cada 10 negócios informais do setor são liderados por mulheres, e a confeitaria se consolidou como uma das principais portas de entrada para quem busca autonomia financeira trabalhando de casa. O interesse em empreender também é crescente: pesquisa da Fiocruz em parceria com a UFMG revela que 57% das brasileiras desejam empreender.
Para a empresária e educadora Dani Formigueiro, referência no empreendedorismo feminino no Brasil e criadora do Empreendendo no Lar e do Confeitar Brasil, a confeitaria deixou de ser apenas uma alternativa para complementar a renda e passou a representar uma oportunidade real de construção de carreira. “Hoje vemos mulheres que começaram produzindo doces na cozinha de casa e transformaram essa atividade em empresas que sustentam suas famílias. Mas isso exige uma mudança de mentalidade: confeitaria é negócio, não apenas habilidade culinária”, afirma.
Segundo Dani, o maior desafio das confeiteiras não está na produção dos doces, mas na gestão do negócio. Erros na precificação, falta de planejamento financeiro, dificuldades em vendas, ausência de posicionamento de marca e pouca organização administrativa ainda impedem que muitos empreendimentos cresçam. Por isso, ela defende que, além de dominar receitas, é fundamental desenvolver competências em gestão, marketing, vendas e educação financeira.
Essa proposta deu origem ao Empreendendo no Lar, comunidade que reúne mais de 240 mil confeiteiras em todo o Brasil, e ao Confeitar Brasil, considerado um dos maiores eventos do segmento. Em quase dez anos, a iniciativa realizou mais de 90 eventos presenciais. A maior edição, realizada em março de 2026, reuniu cerca de 12 mil participantes durante três dias dedicados à capacitação, inovação e empreendedorismo.
Os números acompanham uma mudança no perfil das empreendedoras brasileiras. De acordo com a 4ª edição da pesquisa Mulheres Empreendedoras, do Sebrae Minas, mais de 60% têm entre 31 e 51 anos, mais da metade é casada e seis em cada dez possuem filhos, conciliando maternidade, gestão da casa e administração dos próprios negócios. O levantamento também aponta que 37% possuem CNPJ, 43% contribuem para a Previdência Social e que a participação de mulheres com ensino superior cresceu 18,6 pontos percentuais entre 2012 e 2025.
“A confeitaria pode ser o primeiro negócio de muitas mulheres, mas não precisa ser um negócio pequeno. Quando existe capacitação e gestão, ela se torna uma empresa capaz de gerar renda, empregos e transformar vidas”, conclui Dani, que pretende ampliar seus projetos para novos estados e impactar mais de um milhão de mulheres nos próximos anos em todo o país.
Fonte e foto: Assessoria de Imprensa.