Macron rejeita participação no Conselho de Paz da Faixa de Gaza por preocupações sobre poderes excessivos e impacto na estrutura da ONU
França rejeita convite para integrar conselho de paz de Trump, alegando que ameaça estrutura da ONU e concentra poderes excessivos.
França rejeita conselho de paz de Trump por temer enfraquecimento da ONU
O conselho de paz de Trump, anunciado para supervisionar os próximos passos na Faixa de Gaza, foi rejeitado pelo presidente francês Emmanuel Macron por seus “poderes muito extensos”, que ultrapassam o modelo da Organização das Nações Unidas. A recusa pública, comunicada em Paris, destaca preocupações diplomáticas sobre a substituição da estrutura multilateral tradicional por um órgão liderado unilateralmente pelo ex-presidente americano, Donald Trump.
Jean-Noël Barrot, ministro francês das Relações Exteriores, enfatizou que o conselho tem autoridade para operar “em Gaza e além”, com poderes que incluem a aprovação dos membros, escolha do sucessor do presidente e veto a decisões, o que contrasta fortemente com os princípios da ONU. Esta concentração de poderes não convencionais gerou ceticismo sobre a legitimidade e eficácia do conselho.
Controvérsias financeiras e composição do conselho de paz
Além das dúvidas institucionais, o conselho de paz enfrenta críticas relacionadas à cobrança de uma taxa anual de US$ 1 bilhão para países que desejam permanecer membros permanentes após três anos. O premiê canadense Mark Carney já anunciou que seu país participará, mas não pagará essa taxa, destacando o desconforto com o modelo proposto.
A composição do conselho inclui figuras controversas e influentes, como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, o genro de Trump Jared Kushner e o presidente do Banco Mundial Ajay Banga. Essa diversidade de membros, porém, não diminui as críticas sobre o caráter unilateral e centralizado do poder no conselho.
Impacto diplomático e respostas internacionais
O convite foi estendido a várias nações, incluindo Alemanha, Reino Unido, Albânia, Argentina, Egito, Hungria, Índia, Turquia, Vietnã e Rússia, mesmo diante da guerra da Rússia contra a Ucrânia. A inclusão do presidente Vladimir Putin gerou desconforto, especialmente na Polônia, cujo governo demonstra hesitação e ressalta que a adesão dependeria de aprovação parlamentar.
A Arábia Saudita também avalia a participação, enquanto outros países europeus mantêm uma postura cautelosa. O movimento da França representa uma resistência diplomática significativa, reforçando o valor da ONU como mediadora neutra em conflitos internacionais.
Análise do contexto geopolítico e futuro do conselho de paz
A criação do conselho de paz de Trump ocorre em um cenário global marcado por tensões entre grandes potências e disputas de influência. A tentativa de estabelecer um órgão paralelo à ONU para a Faixa de Gaza reflete uma estratégia de centralização de poder e controle de processos de paz por atores específicos, o que pode desestabilizar as negociações multilaterais.
A rejeição francesa evidencia a resistência internacional a iniciativas que comprometam a legitimidade das instituições tradicionais e alerta para riscos de fragmentação nas abordagens à resolução de conflitos. O futuro do conselho permanece incerto, dependente da adesão global e da capacidade de conciliar interesses divergentes entre suas partes integrantes.
Conclusão: desafios à legitimidade e governança internacional
O conselho de paz de Trump levanta questões cruciais sobre governança, legitimidade e distribuição de poder no cenário internacional. A oposição da França e o debate sobre as taxas e estrutura evidenciam a complexidade de criar novos mecanismos de paz fora do sistema da ONU. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos, que poderão influenciar modelos futuros de mediação e cooperação global.
Fonte: www.politico.eu
Fonte: Michael Kappeler/picture alliance via Getty Images
