Private credit funds seguem captando bilhões apesar de alertas de risco

CNBC

Investidores continuam apostando em crédito privado mesmo com sinais de estresse e flexibilização na avaliação de riscos

Private credit funds seguem captando bilhões de dólares apesar dos alertas sobre riscos crescentes, com investidores apostando na demanda estrutural e oportunidades no mercado.

O mercado de private credit segue desafiando as preocupações sobre riscos crescentes e práticas de avaliação de crédito mais frouxas, com grandes fundos captando recursos bilionários no final de 2025 e início de 2026. Apesar dos alertas feitos por líderes como Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, e Ray Dalio, fundador da Bridgewater, que apontam para riscos “escondidos à vista” e estresse crescente em alguns setores, a indústria mantém forte apetite por captação e investimentos.

Crescimento recorde dos fundos de private credit

Empresas como TPG fecharam em dezembro um fundo de soluções de crédito que captou mais de US$ 6 bilhões, superando significativamente a meta inicial de US$ 4,5 bilhões e dobrando o tamanho do fundo anterior. Da mesma forma, Neuberger Berman encerrou o quinto fundo de dívida privada com US$ 7,3 bilhões, e a KKR captou US$ 2,5 bilhões para seu fundo de oportunidades na Ásia. Esses números evidenciam a demanda robusta de investidores institucionais globais, como fundos de pensão, seguradoras e endowments, que veem o private credit não mais como uma estratégia de nicho, mas como componente estrutural de suas carteiras.

Contexto dos alertas e desafios do setor

O caso da First Brands Group, empresa do setor automotivo que enfrentou dificuldades financeiras em setembro de 2025, foi um marco para reacender os receios quanto a riscos ocultos e estruturas de dívida agressivas acumuladas em um ambiente de financiamento facilitado. Tais eventos reforçaram as preocupações sobre flexibilização nos critérios de crédito e avaliação de riscos, especialmente em mercados desenvolvidos como EUA e Europa.

Jamie Dimon alertou para a possibilidade de “baratas” emergirem com a deterioração das condições econômicas, referindo-se a problemas espalhados e não imediatamente visíveis no setor. Ray Dalio também destacou o aperto dos juros como fator que pressiona ativos privados alavancados, afetando a estabilidade dos mercados de venture capital e crédito privado.

Demanda estrutural e impacto regulatório

Apesar desses desafios, fatores estruturais sustentam o crescimento do private credit. A retração dos bancos tradicionais, imposta por regulamentações mais rígidas e custos maiores para manutenção de empréstimos corporativos arriscados, abriu espaço para que fundos privados assumam o papel principal no financiamento de empresas de médio porte, projetos de infraestrutura e ativos garantidos.

O JPMorgan, em seu “Alternative Investments Outlook 2026”, reassessou o mercado, destacando que o aumento da demanda por crédito privado supera a oferta, principalmente para transações de private equity. A Goldman Sachs reforça que, apesar de alguns calotes específicos, a demanda por crédito privado continua robusta e enraizada em necessidades reais do mercado.

Disparidades regionais e perfil do mercado asiático

Enquanto os mercados americano e europeu demonstram sinais preocupantes como aumento de inadimplência e relaxamento de cláusulas contratuais, o setor asiático apresenta características distintas. Segundo Ming Eng, diretora da Granite Asia, o mercado asiático ainda está em estágio inicial, com menor alavancagem e estruturas mais conservadoras. Muitas empresas são lideradas por fundadores ou famílias, ainda dependentes de bancos ou capital próprio, o que limita a erosão de cláusulas e o aumento de riscos.

Pressões financeiras e perspectivas para 2026

Dados da Goldman Sachs indicam que cerca de 15% dos tomadores não conseguem cobrir totalmente os pagamentos dos juros de suas dívidas privadas, refletindo o impacto do aumento das taxas de juros. Embora possíveis cortes nas taxas possam aliviar a pressão, eles não eliminam as fragilidades subjacentes. A Morningstar também aponta para a deterioração dos perfis de crédito, tanto entre tomadores de alta quanto de baixa qualidade, em razão do ambiente de juros elevados.

O cenário desenhado sugere que, apesar da robustez na captação de recursos, o setor de private credit enfrenta desafios crescentes para equilibrar o crescimento com a qualidade dos ativos e a avaliação de riscos, num contexto econômico ainda incerto e marcado por mudanças regulatórias e competitivas.

Investidores e gestores de fundos permanecem atentos à evolução desse mercado, que se consolida como uma peça-chave na estrutura financeira global, mas que requer monitoramento cuidadoso diante dos sinais de estresse e das diferenças regionais no perfil de risco.

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