Regra de sigilo temporário em carteiras foi ativada por cinco fundos da Reag durante apurações da Operação Carbono Oculto
Cinco fundos da Reag acionaram sigilo temporário em suas carteiras durante investigações da Polícia Federal na Operação Carbono Oculto, envolvendo fraudes e lavagem de dinheiro.
Cinco fundos administrados pela Reag, empresa liquidada pelo Banco Central em janeiro de 2026, acionaram o sigilo temporário na divulgação da composição de suas carteiras durante o avanço das investigações da Polícia Federal (PF), especificamente na Operação Carbono Oculto. Essa operação apura fraudes, lavagem de dinheiro e ocultação de recursos ilícitos no setor de combustíveis, com conexão a organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Fundos da Reag e a regra de sigilo
Os fundos Olaf 95, Hans 95, Maia 95, Astralo 95 e Reag Growth 95 fizeram uso da regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que permite a omissão temporária do detalhamento dos ativos das carteiras por até seis meses. A decisão desses fundos de ativar o sigilo coincide com fases críticas das investigações da PF e das negociações envolvendo a venda do Banco Master, que iniciou processo de venda ao Banco de Brasília (BRB), mas teve a operação vetada pelo Banco Central.
Investimentos e exposição financeira
Durante 2025, os fundos da Reag mantiveram, em diferentes momentos, cerca de R$ 651 milhões aplicados em CDBs e RDBs emitidos pelo Banco Master. Observou-se uma redução progressiva desse montante nos meses seguintes, indicando retirada de recursos. Além disso, o fundo Astralo 95 chegou a manter aproximadamente R$ 140 milhões em ativos classificados como crédito privado e cerca de R$ 520 milhões em ações, refletindo posições mantidas ao longo do ano.
Investigação ampliada sobre o Banco Master
Além da Operação Carbono Oculto, os fundos da Reag estão no foco de outra apuração da PF que investiga se essas estruturas financeiras foram usadas para inflar riscos ou ocultar passivos no Banco Master. Esta investigação, iniciada em outubro de 2025, também mira outros fundos do mercado financeiro que podem estar envolvidos em práticas semelhantes.
Bloqueio de bens e desdobramentos
No âmbito das investigações, a Justiça de São Paulo bloqueou, em 29 de abril de 2025, R$ 112 milhões em bens do ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, aplicados numa conta da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. O bloqueio ocorreu em ação executiva de uma dívida no valor original de R$ 470,5 milhões, solicitada pela família ex-proprietária do Banco Voiter, vendido ao Master em 2024.
Contexto e importância das investigações
A ativação do sigilo por fundos da Reag e o bloqueio de bens evidenciam a complexidade e o alcance das investigações que envolvem o setor financeiro e o mercado de capitais brasileiro. O Banco Central e a Polícia Federal intensificam o monitoramento para garantir transparência e impedir a utilização de fundos para práticas ilícitas, especialmente em contextos relacionados a organizações criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro.
A utilização da regra de sigilo temporário, ainda que prevista em regulamentação, levanta debates sobre o equilíbrio entre proteção estratégica de carteiras e a necessidade de transparência nas operações financeiras, principalmente em momentos críticos de investigações.
Esses eventos ressaltam a atenção que o mercado financeiro brasileiro vem recebendo das autoridades e a importância de mecanismos eficazes de fiscalização para preservar a integridade do sistema.
Fonte: www.metropoles.com
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