Tribunal avalia impactos financeiros e riscos à sustentabilidade do regime previdenciário local
TCDF investiga prejuízos da operação Master/BRB que afetam aposentados do DF, com perdas superiores a R$ 124 milhões.
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) iniciou uma investigação para apurar os prejuízos causados pela operação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, que têm afetado diretamente os fundos de aposentadoria dos servidores públicos do Distrito Federal. A análise foi motivada por uma representação do deputado distrital Max Maciel (PSol) e está sob a relatoria da conselheira Anilcéia Machado.
Contexto da operação e impacto nas aposentadorias
A investigação do TCDF foca na dilapidação do patrimônio do Fundo Solidário Garantidor (FSG), que sustenta parte das aposentadorias locais. Esse problema teve origem durante o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), quando houve uma recomposição do fundo, que envolveu a transferência de quase R$ 1,3 bilhão em ações do BRB para o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev). Na época, essas ações foram avaliadas em R$ 531,4 milhões, mas atualmente seu valor está reduzido para cerca de R$ 406,5 milhões, segundo dados recentes da Bolsa de Valores.
Essa desvalorização representa um prejuízo bruto estimado em aproximadamente R$ 124,8 milhões, devido à queda no preço unitário das ações do BRB, que fecharam em R$ 6,78 no dia 19 de janeiro de 2026.
Riscos e críticas à gestão dos ativos previdenciários
A representação que originou o processo ressalta que os ativos destinados à previdência devem prezar por segurança, solvência, liquidez e rentabilidade, além de contar com um grau adequado de diversificação. A concentração excessiva de investimentos em ações de uma única instituição financeira em um contexto de instabilidade contraria esses princípios, expondo os recursos dos aposentados a riscos elevados.
Além disso, a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em 18 de novembro de 2025, após a identificação de irregularidades graves, configurou um evento extraordinário de risco financeiro que exige atenção imediata das autoridades para mitigar impactos nas contas públicas e previdenciárias.
Consequências para o Iprev e os servidores aposentados
O Iprev-DF, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões, reconheceu em seu balanço de novembro de 2025 uma insuficiência financeira para honrar seus compromissos futuros, projetando um déficit de R$ 617 milhões. Em 2025, o instituto solicitou crédito suplementar para manter os pagamentos em dia.
O Fundo Solidário Garantidor, que inclui 44 imóveis cedidos pelo GDF e as ações do BRB, é visto como uma fonte crucial para cobrir eventuais déficits, conforme legislação aprovada recentemente na Câmara Legislativa do DF.
Entretanto, o aumento dos riscos financeiros põe em xeque a sustentabilidade do Regime Próprio de Previdência Social do Distrito Federal e a segurança dos benefícios de mais de 75 mil aposentados e pensionistas.
Reação institucional e expectativas futuras
Em dezembro de 2025, o TCDF determinou que a Secretaria de Estado de Governo (Segov-DF), o Iprev e o BRB apresentem documentação e esclarecimentos que serão analisados por técnicos do tribunal.
O deputado Ricardo Vale (PT) também manifestou preocupação sobre os prejuízos ocasionados, destacando que a redução nos dividendos do BRB impacta diretamente o caixa do Iprev e pode comprometer os pagamentos aos aposentados. Ele solicitou informações detalhadas sobre os prejuízos e planos de recuperação, defendendo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do DF para aprofundar a investigação.
Até o momento da última atualização, o Iprev não havia respondido aos pedidos de entrevista.
Perspectivas e desafios
O caso evidencia um cenário preocupante para a gestão dos fundos previdenciários públicos no Distrito Federal, reforçando a necessidade de maior transparência, diversificação e prudência nos investimentos que garantem a segurança financeira dos servidores aposentados. À medida que o TCDF avança na análise, medidas corretivas poderão ser recomendadas para proteger esse patrimônio e assegurar a continuidade dos pagamentos futuros.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Rafaela Felicciano/Metrópoles
