A chave para o uso eficaz da inteligência artificial está na capacitação humana e na transformação organizacional
Investir nas pessoas é fundamental para que a inteligência artificial entregue valor real nos negócios, superando ganhos apenas em eficiência.
A inteligência artificial (IA) vem transformando o ambiente corporativo, prometendo principalmente ganho de tempo e eficiência. Dados recentes do Fórum Econômico Mundial revelam que 82% das organizações já estão se reinventando com o uso da IA generativa, e 85% dos funcionários relatam uma economia de até sete horas por semana graças a essas ferramentas. Contudo, essa evolução traz um paradoxo: apesar da aceleração das tarefas individuais, os resultados organizacionais não apresentam o mesmo ritmo de melhoria. Muito tempo ainda é gasto em retrabalho, supervisão e enfrentamento do esgotamento.
O desafio da produtividade real
A métrica tradicional de sucesso baseada apenas em horas economizadas não reflete a complexidade do cenário atual. Pesquisas apontam que, para cada 10 horas de eficiência conquistadas, cerca de quatro horas são consumidas para corrigir ou aperfeiçoar saídas geradas pela IA. Isso indica que o problema não está na tecnologia, mas no investimento insuficiente nas pessoas que a utilizam. Equipar funcionários apenas com o conhecimento técnico para operar as ferramentas não é suficiente; é essencial desenvolver habilidades humanas como julgamento, criatividade e cuidado que complementem as funções automatizadas.
Redesign de funções para a era da IA
Os modelos tradicionais de descrição de cargos ainda enfatizam tarefas manuais e outputs operacionais, desconsiderando o papel estratégico que os funcionários devem assumir em uma força de trabalho aumentada pela IA. A transformação organizacional requer que as empresas revisem suas funções, distinguindo atividades repetitivas daquelas que demandam a intuição e o discernimento humano, para que as pessoas possam focar no que traz maior valor.
Capacitação humana além da alfabetização digital
Mais do que ensinar a usar ferramentas, é urgente preparar os colaboradores para pensar criticamente diante dos resultados da IA. Eles precisam saber quando confiar nos outputs, quando questioná-los e como assumir a responsabilidade por decisões que envolvam essas tecnologias. Organizações líderes investem em aprendizagem baseada em habilidades e promovem ambientes internos que facilitam o desenvolvimento contínuo do talento, priorizando o julgamento humano em contextos enriquecidos pela IA.
Reconfiguração dos sistemas de trabalho
A adoção da IA permite liberar capacidade produtiva, mas cabe às empresas decidir para que fins essa capacidade será direcionada. Isso implica alterar métricas de desempenho, sistemas de incentivo e expectativas organizacionais para valorizar qualidades humanas essenciais, como clareza, confiança e bom julgamento, transformando-os em resultados centrais ao invés de simples atributos desejáveis.
A nova fronteira da revolução da IA
À medida que os líderes globais se reúnem para debater o futuro do trabalho em Davos, a reflexão sobre a IA ultrapassa a simples interação homem-máquina, tornando-se uma questão de contrato social entre empresas e colaboradores. O verdadeiro desafio está em investir adequadamente nas pessoas para que possam não apenas usar a IA, mas evoluir com ela, criando valor sustentável e significativo. Assim, o sucesso da inteligência artificial nos negócios dependerá de um equilíbrio entre tecnologia avançada e desenvolvimento humano consciente.
