Fictor entra no radar da CVM por oferta irregular de investimentos

Holding que tentou comprar Banco Master é investigada por captação pública indevida

Fictor, que tentou adquirir o Banco Master, está sob investigação da CVM por oferta irregular de investimentos em SCPs.

A holding Fictor, que buscou adquirir o Banco Master em uma operação que chamou a atenção do mercado financeiro, está atualmente sob investigação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devido a indícios de oferta irregular de investimentos.

Fictor e a oferta irregular de investimentos

A Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (Abai) acionou a CVM após identificar que a Fictor vinha captando recursos junto a investidores de forma pública, utilizando Sociedades em Conta de Participação (SCPs). Formalmente, as SCPs têm natureza privada, mas a forma ampla e pública de oferta descaracteriza esse aspecto, configurando a emissão irregular de Contratos de Investimento Coletivo (CIC), o que requer registro e fiscalização pela CVM.

Promessas de retorno e incentivos controversos

Segundo relatos, a Fictor oferecia retornos mensais entre 2% e 3%, com materiais publicitários citando até 18% ao ano. Tais promessas são consideradas incompatíveis com a realidade do mercado financeiro e com a natureza de renda variável das SCPs. Além disso, assessores recebiam comissões de cerca de 2% ao mês sobre o volume captado, prática conhecida como “rebate”, que pode incentivar vendas fora dos canais regulamentados.

Falhas na transparência e dificuldades para investidores

O documento entregue à CVM destaca a ausência de transparência nas operações da Fictor, incluindo a transferência direta dos recursos para contas das sócias ostensivas, sem estrutura de custódia, auditoria ou fiscalização típica de fundos regulados. Também foram relatados atrasos nos pedidos de resgate, com prazos de até 60 dias, e falta de formalidade nos extratos fornecidos aos investidores.

Contexto da investigação e situação atual da Fictor

A Fictor ganhou destaque ao anunciar em novembro de 2025 uma parceria com um consórcio árabe para adquirir o Banco Master, com aporte previsto de R$ 3 bilhões. No entanto, a operação foi impactada pela operação Compliance Zero da Polícia Federal, que investigou crimes no Banco Master, culminando em sua liquidação pelo Banco Central e prisão do ex-proprietário.

Na última semana, após relatos de atrasos e pedidos de resgate, a Fictor divulgou uma nota negando insolvência e afirmando que os valores em atraso seriam regularizados até 12 de fevereiro de 2026. A holding afirmou estar passando por um momento “atípico” marcado por maior exposição midiática e ajustes operacionais.

Repercussões para o mercado financeiro

A investigação sobre a Fictor levanta importantes alertas sobre a necessidade de rigor na oferta e fiscalização de investimentos, principalmente envolvendo estruturas menos reguladas como as SCPs. A atuação da CVM será fundamental para garantir a proteção dos investidores e evitar práticas que possam comprometer a integridade do sistema financeiro nacional.

A Fictor não retornou aos pedidos de posicionamento, assim como a CVM, que ainda não se manifestou publicamente sobre o caso até o momento da publicação.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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