Ex-chefe da Otan destaca necessidade de reação firme da Europa diante de pressões dos EUA pela Groenlândia
Anders Fogh Rasmussen afirma que a era de bajulação a Donald Trump acabou e que a Europa deve reagir economicamente às ameaças do presidente americano envolvendo a Groenlândia.
Anders Fogh Rasmussen, ex-secretário-geral da Otan e ex-primeiro-ministro da Dinamarca, fez declarações contundentes sobre a postura da Europa diante das recentes provocações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas à Groenlândia. Segundo Rasmussen, o tempo de bajulação a Donald Trump acabou, e a Europa precisa reagir com firmeza, especialmente por meio de medidas econômicas.
Desafio histórico para a Otan
Rasmussen destacou que a insistência de Trump em tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos configura o maior desafio para a Otan desde sua criação em 1949. A Groenlândia, apesar de ser um território semiautônomo da Dinamarca, tornou-se foco de uma disputa estratégica que pode comprometer a aliança transatlântica.
Necessidade de força e união europeia
O ex-chefe da Otan afirmou que elogios e bajulações não surtem efeito perante Trump, que respeita apenas demonstrações de força, firmeza e união. Ele criticou implicitamente a postura de líderes europeus que têm elogiado Trump, sinalizando que é chegada a hora de uma nova abordagem que fortaleça a posição dos aliados.
Plano estratégico para a Groenlândia
Para desarmar a crise, Rasmussen propôs um plano em três pontos:
Atualizar o acordo de 1951 entre EUA e Dinamarca para incluir uma presença reforçada da Otan na Groenlândia, ampliando a cooperação militar na região;
Estabelecer um pacto de investimentos para incentivar empresas norte-americanas e europeias a explorar recursos minerais na Groenlândia;
- Criar um pacto de estabilização e resiliência para impedir investimentos estratégicos de China e Rússia em setores críticos do território.
Pressão econômica e respostas europeias
Rasmussen também mencionou o uso do Instrumento Anticoerção da União Europeia, conhecido como “bazuca”, que concede poderes para retaliações econômicas, como resposta às ameaças de Trump de impor tarifas a países que enviaram tropas para a Groenlândia. Essa ferramenta poderá ser fundamental para defender os interesses europeus frente às pressões dos EUA.
Impactos para o futuro da Otan
O ex-líder assinalou que o que está em jogo é o futuro da Otan. A capacidade da aliança em se manter unida e firme diante de pressões externas será determinante para sua relevância geopolítica. A crise da Groenlândia serve como um teste crítico para a solidariedade transatlântica.
Debate em Davos e perspectivas
Rasmussen compartilhou suas ideias durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, expressando esperança de que propostas concretas possam conduzir o debate para uma fase mais construtiva entre os países envolvidos.
Conclusão
O alerta de Anders Fogh Rasmussen evidencia uma mudança de paradigma na relação entre a Europa e os Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump. A necessidade de uma postura assertiva e unificada dos aliados da Otan é apresentada como condição para preservar não apenas territórios estratégicos como a Groenlândia, mas também a coesão e o futuro da aliança militar.
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: Jonathan Ernst
