Psicanalista explica características do presidente dos EUA e alerta para impacto da patologia social
Christian Dunker analisa transtorno mental de Donald Trump e alerta para os riscos de sua patologização e o impacto social do fenômeno.
O psicanalista Christian Dunker realizou uma análise profunda do transtorno mental de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, destacando o contexto em que figuras autoritárias ganham destaque no capitalismo contemporâneo. Segundo Dunker, essas lideranças criam uma individualização do poder que promove um efeito carismático e mágico, alimentando a fantasia de que uma pessoa excepcional pode realizar transformações que as instituições e comunidades não conseguem.
A busca por ser amado na personalidade de Trump
Dunker explica que o discurso do presidente americano revela uma clara intenção de ser amado e reconhecido: “Ele quer ser amado, ele quer vencer, dotes carismáticos, ser uma pessoa que tem ideias tão brilhantes que não é compreendido”. Essa necessidade reforça a construção de uma persona errática e superlativa, que se coloca acima das formas institucionais tradicionais.
Diferenças entre Trump e outros líderes autoritários
Apesar das comparações frequentes entre Trump e outros líderes com discursos autoritários, Dunker distingue diferenças importantes, especialmente em relação a Javier Milei, presidente da Argentina. “Milei é um missionário numa cruzada, suporta ser odiado e tem convicções firmes. O discurso de Trump é o oposto”, aponta o psicanalista, ressaltando nuances nas motivações e estratégias políticas.
Riscos da patologização e da desresponsabilização
Dunker alerta para os perigos de classificar Trump como portador de transtorno mental, pois isso pode ser usado para isentá-lo de responsabilidades por seus atos. “Sistematicamente a gente pergunta: ‘É louco ou é cruel?’ Isso pode levar a uma visão médica que exclui a responsabilidade pessoal ou, ao contrário, a uma condenação moral pura”, explica. A Psicanálise não apoia a desresponsabilização por meio da patologização.
Trump como expressão de uma patologia social
A análise de Dunker enxerga Trump não como um caso individual, mas como um fenômeno que reflete uma patologia social. Essa patologia decorre de uma forma de laço social que produz sofrimento coletivo, sustentado por identificações em massa e pela suspensão do juízo crítico. “Trump é um ótimo exemplo da psicologia das massas, onde o indivíduo funciona como parte de uma estrutura de massa, e não mais como um sujeito isolado”, conclui.
Essa perspectiva amplia a compreensão sobre os efeitos sociais dos líderes carismáticos e a complexidade dos fenômenos autoritários na contemporaneidade, destacando a importância de analisar os sujeitos políticos em sua dimensão social e psicológica.
Fonte: www.purepeople.com.br
Fonte: 'BBB 26'
