Primeira-ministra dinamarquesa reforça limites inegociáveis diante das ameaças dos EUA sobre a ilha estratégica no Ártico
Dinamarca alerta que crise com Trump por Groenlândia pode piorar, destacando limites inegociáveis em soberania e identidade nacional.
A Dinamarca enfrenta um momento delicado em suas relações internacionais com os Estados Unidos, diante da ofensiva do presidente Donald Trump para anexar a Groenlândia, território autônomo sob sua jurisdição. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que “o pior ainda está por vir”, sinalizando que a crise pode se agravar.
Dinamarca reafirma limites inegociáveis
Em discurso no Parlamento, Frederiksen destacou que, apesar do espaço para diálogo em temas como política, economia, segurança e investimentos, existem valores fundamentais que não podem ser negociados. Entre esses, ela citou soberania, identidade nacional, fronteiras e democracia, princípios que definem a relação entre Dinamarca, Groenlândia e outras nações.
Disputa geopolítica no Ártico
A investida americana ultrapassa o âmbito bilateral e representa uma disputa maior pela ordem mundial, segundo a premiê. A Groenlândia possui relevância estratégica para os Estados Unidos, devido à sua localização geográfica no Ártico e proximidade com projetos de defesa como o “Domo de Ouro”, um escudo antimísseis defendido por Trump. O interesse dos EUA reacende o debate sobre a segurança regional e a influência no Ártico.
Crescimento da presença militar europeia
Em resposta à escalada, países europeus aliados da Dinamarca reforçam a presença militar na Groenlândia. O Exército dinamarquês divulgou imagens do desembarque de tropas em Nuuk e treinamentos aéreos com caças F-35. França, Alemanha, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia iniciaram o envio de soldados e planejam exercícios conjuntos, fortalecendo a defesa do território.
Potencial uso da força e diálogo tenso
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, admitiu que, embora improvável, o uso de força militar não pode ser descartado, uma vez que Trump deixou essa possibilidade em aberto. O governo groenlandês mantém diálogo constante com a União Europeia, Otan e outros aliados para buscar soluções pacíficas, mas o impasse permanece.
Impacto econômico e diplomático
Além das ameaças militares, Washington impôs tarifas de 10% a oito países europeus contrários ao plano americano, medida que entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2026 e intensificou a tensão diplomática. Líderes europeus sinalizam possíveis retaliações econômicas, complicando ainda mais as negociações.
Cenário de desacordo fundamental
Reuniões recentes entre representantes dos Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia terminaram sem avanços significativos. Fontes diplomáticas indicam um “desacordo fundamental” sobre o futuro da ilha, evidenciando a complexidade do conflito e sua repercussão geopolítica.
Esta crise revela a fragilidade das relações transatlânticas diante de interesses estratégicos divergentes, colocando em xeque a cooperação internacional na região do Ártico e o equilíbrio da ordem mundial nas próximas décadas.
Fonte: baccinoticias.com.br
Fonte: de Weimin Chu 2019 National Geographic Travel Photo Contest
