Grupo EP justifica cortes por dificuldades financeiras, mas contrato milionário com a Alesp levanta questionamentos
Afiliada da Globo demite 16 jornalistas e corta atividades em São Paulo e Minas Gerais em meio a alegadas dificuldades financeiras.
O Grupo EP, que administra a EPTV, afiliada da Globo nos interiores de São Paulo (SP) e Minas Gerais (MG), demitiu pelo menos 16 jornalistas desde o início do ano de 2026, além de encerrar atividades em várias localidades. Essa decisão impactou também outras operações do grupo, incluindo as rádios CBN Campinas, CBN Ribeirão Preto, a EP FM Araraquara e duas redações do site ACidadeOn.
Contexto das demissões
Segundo comunicado do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), a justificativa da empresa para os cortes é a dificuldade financeira que o Grupo EP enfrenta para manter suas operações no azul. No entanto, essa versão recebeu críticas internas, principalmente porque o grupo foi recentemente contratado para gerenciar o canal de TV e as redes sociais da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) a partir de fevereiro de 2026, em um contrato avaliado em R$ 26,9 milhões por ano.
Perdas na estrutura e profissionais afetados
Entre os desligados estão jornalistas das afiliadas da EPTV em Araraquara e São Carlos, além de repórteres e apresentadores das estações de rádio e do portal de notícias. Thales Rodrigues, apresentador do Jornal da EPTV em Varginha, e Pedro Guilherme, apresentador do Globo Esporte na região de São Carlos e Araraquara, estão entre os profissionais demitidos. Também foi afetado o diretor regional do Sindicato dos Jornalistas, o que, segundo o SJSP, contraria a estabilidade legal garantida à categoria.
Centralização das operações
Com os cortes, a transmissão dos principais noticiários e programas esportivos, como o Globo Esporte, será concentrada na unidade da EPTV em Campinas (SP), reduzindo a presença regional que caracterizava o grupo. O fechamento de redações locais poderá afetar a cobertura jornalística nas cidades impactadas.
Repercussão e ausência de resposta oficial
O Metrópoles tentou contato com a gestão do Grupo EP nas localidades afetadas, mas não obteve retorno até o momento. Enquanto isso, profissionais do setor e sindicatos acompanham a situação com atenção, dado o impacto sobre o jornalismo regional e a contradição entre o corte de pessoal e o recente contrato milionário com a Assembleia Legislativa.
A situação do Grupo EP reflete um desafio no mercado de comunicação local, onde empresas buscam equilibrar finanças diante de mudanças no consumo e na receita publicitária, mas enfrentam críticas quando decisões afetam a pluralidade e a presença jornalística nas regiões atendidas.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: da sede da EPTV em Campinas (SP
