Departamento de Justiça admite compartilhamento indevido de informações pessoais por operação ligada a Elon Musk
Operação Doge, ligada a Elon Musk, acessou e compartilhou indevidamente dados confidenciais da Previdência Social dos EUA, aponta documento judicial.
A operação Doge, criada no início da administração Trump e ligada a Elon Musk, acessou e compartilhou ilegalmente dados sensíveis da Previdência Social dos Estados Unidos, conforme revelado em uma recente ação judicial do Departamento de Justiça (DoJ).
Revelações judiciais sobre Doge
Após meses de negações, o DoJ admitiu que funcionários do grupo chamado “departamento de eficiência governamental” (Doge) firmaram um acordo secreto de compartilhamento de dados com um grupo político não identificado, cujo objetivo declarado era encontrar evidências de fraude eleitoral e contestar resultados em certos estados.
A Administração da Previdência Social (SSA) afirmou não ter conhecimento prévio do acordo firmado em março e só descobriu o fato durante uma revisão em novembro. A SSA encaminhou possíveis violações da Lei Hatch, que proíbe atividade política por funcionários federais, para investigação pelo Escritório de Conselheiros Especiais.
Uso de servidores não autorizados e arquivos criptografados
O documento judicial aponta que membros do Doge compartilharam dados internamente utilizando servidores da Cloudflare, uma plataforma terceirizada não autorizada pela SSA. A agência não conseguiu determinar quais informações foram transmitidas ou se ainda permanecem nesses servidores.
Em um episódio específico, um integrante do Doge enviou um arquivo criptografado e protegido por senha para Steve Davis, assessor sênior da operação, contendo possivelmente nomes e endereços de cerca de 1.000 pessoas extraídos dos sistemas da Previdência Social. As autoridades ainda não conseguiram acessar o arquivo para confirmar seu conteúdo.
Mudança de postura da Previdência Social
Até então, oficiais da SSA negavam que o Doge tivesse comprometido dados pessoais. Em agosto, após alerta do ex-diretor de dados Charles Borges ao Congresso sobre o armazenamento inseguro de informações pelo Doge, a agência afirmou não ter evidência de comprometimento do ambiente.
Reações políticas e investigação
A divulgação veio como resposta a uma ação judicial movida por sindicatos e grupos de defesa tentando impedir o Doge de acessar informações da Previdência Social. Um juiz federal havia temporariamente proibido o acesso, mas a Suprema Corte suspendeu essa restrição posteriormente.
Os deputados democratas John Larson e Richard Neal, principais membros do subcomitê de Previdência Social e do Comitê de Meios e Recursos da Câmara, exigiram punições severas para os responsáveis, destacando que os integrantes do Doge não foram aprovados pelo Congresso nem identificados publicamente.
Busca por informações mesmo após restrições
Segundo o processo, um integrante da equipe Doge realizou buscas por informações pessoais no dia 24 de março, mesmo após a agência ter tentado revogar o acesso conforme ordem judicial. O último acesso total ocorreu por volta das 9h30, sendo encerrado ao meio-dia.
Além disso, o documento revelou que o Doge teve acesso a diversos sistemas além do informado, incluindo registros de funcionários, informações de acesso e espaços de trabalho compartilhados que facilitavam a troca de dados.
Ambiente de trabalho tenso e vigilância interna
Em abril do ano anterior, mais de duas dezenas de funcionários federais denunciaram que agentes do Doge gravavam reuniões, monitoravam atividades de computadores e utilizavam ferramentas de inteligência artificial para detectar suposta deslealdade, criando um ambiente hostil comparado a um “filme de terror”.
Resultados e impacto
A operação, lançada por Musk com a promessa de identificar fraudes massivas na Previdência Social, não encontrou evidências generalizadas de desperdício, fraude ou abuso nos programas de aposentadoria e invalidez, segundo documentos judiciais.
Essa controvérsia levanta questões importantes sobre o uso político e ético de dados sensíveis governamentais, especialmente em projetos que envolvem cortes de custos e supervisão tecnológica em agências públicas.
