Especialistas destacam importância de análise ampla além dos múltiplos para entender o mercado de inteligência artificial
Especialistas do Santander e G5 Partners analisam o mercado de IA e alertam para riscos ao focar apenas em múltiplos, destacando investimentos e produtividade.
A discussão sobre uma possível bolha da IA à vista tem ganhado espaço no mercado financeiro em 2026, mas especialistas alertam para os riscos de análises superficiais baseadas exclusivamente em múltiplos de avaliação.
Contexto do mercado de inteligência artificial
O estrategista do Santander, Caio Camargo, ressalta que avaliar o mercado apenas por múltiplos pode transmitir uma mensagem incompleta. “Está caro? Está barato? Em que contexto macro? Em que país? Em que setor? Quando você amplia a análise, ela fica mais completa”, destacou durante o evento Onde Investir em 2026.
Camargo enfatiza também a dificuldade de mensurar o ganho de produtividade proporcionado pela IA, que permite resolver em minutos tarefas que antes demandavam horas. Ele observa que as ações relacionadas à IA têm apresentado valorização significativa mesmo em um cenário de juros americanos elevados, o que pode indicar um ciclo econômico favorável e novas surpresas positivas.
Investimentos robustos sustentam o crescimento
Mário Nevares, head de investimentos internacionais da G5 Partners, reforça que o ciclo atual de investimentos em IA está longe de caracterizar uma bolha, principalmente porque as grandes empresas utilizam seus próprios lucros para financiar os aportes, evitando endividamento elevado. Ele destaca que as “big techs” triplicaram seus investimentos anuais, de US$ 150 bilhões em 2023 para projeções acima de US$ 500 bilhões em 2026, impulsionando o PIB dos Estados Unidos.
No entanto, Nevares pondera que a lucratividade desses investimentos ainda é incerta e que o mercado deve discutir esse aspecto nos próximos anos. Ele cita o ChatGPT como exemplo de uma ferramenta amplamente usada, mas que ainda não demonstra claramente sua monetização em larga escala.
Avaliação e perspectivas dos principais players
O desempenho das chamadas “Magnificent Seven” tem mostrado múltiplos estáveis entre o final de 2024 e o final de 2025, com crescimento médio de lucro em torno de 25%. Para Nevares, eventuais quedas no mercado são ajustes naturais e não indicam o estouro de uma bolha. Ele também chama atenção para desafios estruturais, como a demanda por energia, que têm impulsionado investimentos em infraestrutura.
Enzo Pacheco, estrategista da Empiricus, compara o atual cenário ao rali das ações de tecnologia do início dos anos 2000, mas destaca diferenças importantes: as empresas atuais possuem valuations mais ajustados e qualidade superior. Ele aponta que, embora exista volatilidade e excessos pontuais, como o caso da CoreWeave, o mercado global e o S&P 500 não apresentam sinais claros de bolha generalizada.
Implicações para investidores e mercado
Especialistas recomendam que os investidores não comprem ações apenas pelo movimento de alta, mas que conheçam as empresas e compreendam suas teses de investimento dentro do contexto macroeconômico. A volatilidade é apontada como parte natural do ciclo de mercado, e a rápida evolução da indústria e do comportamento do consumidor indicam um período de transformações intensas, com potencial para resultados positivos, porém sem garantia de linearidade.
O cenário atual, portanto, exige cautela e análise aprofundada, evitando conclusões precipitadas sobre bolhas puramente baseadas em múltiplos ou valorização recente.
Fonte: www.moneytimes.com.br
