Reino Unido adia adesão ao conselho de paz de Trump por dúvidas sobre Putin

BBC

Yvette Cooper expressa cautela diante do papel de Putin em iniciativa de paz proposta pelos EUA

O Reino Unido optou por não assinar o conselho de paz criado por Donald Trump, citando preocupações sobre a participação de Vladimir Putin e a amplitude do tratado.

O Reino Unido decidiu não assinar de imediato o conselho de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citando preocupações relacionadas à possível participação do presidente russo Vladimir Putin e aos termos amplos do tratado.

Aviso do Reino Unido sobre o conselho de paz

A secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, declarou em entrevista ao programa BBC Breakfast, transmitido em Davos, que o Reino Unido recebeu um convite para integrar o conselho, mas optou por não ser um dos signatários na cerimônia prevista no Fórum Econômico Mundial. Cooper enfatizou que, embora apoie o plano de 20 pontos apresentado por Trump para encerrar o conflito em Gaza, o tratado vai além desse foco inicial e levanta questões legais e políticas mais amplas.

Preocupações com a participação de Vladimir Putin

Um dos principais obstáculos para a adesão britânica é a incerteza em relação ao envolvimento do presidente Putin. Cooper destacou que não há sinais claros de compromisso de Putin com a paz, especialmente considerando a invasão russa à Ucrânia. Essa postura influencia diretamente a cautela do Reino Unido, que mantém forte apoio à Ucrânia e tem demonstrado disposição para colaborar militarmente caso um acordo seja alcançado.

Escopo do tratado e impacto nas relações internacionais

O documento vazado que descreve a carta do conselho revela que este pretende atuar como uma organização internacional com poderes para promover estabilidade e governança nos territórios afetados por conflitos, podendo inclusive substituir algumas funções da Organização das Nações Unidas. A estrutura prevê mandatos renováveis para membros e assentos permanentes para grandes contribuintes financeiros. Trump atuaria como presidente e representante dos EUA, com autoridade para nomear membros executivos e criar corpos subsidiários.

Reação de outros países e contexto diplomático

Enquanto o Reino Unido permanece reticente, países como Arábia Saudita, Turquia, Egito, Israel, Paquistão e Catar confirmaram sua adesão ao conselho. Putin afirmou que seu país ainda estuda o convite, contrariando declarações de Trump que indicavam aceitação. A iniciativa ocorre em meio a tensões diplomáticas recentes entre EUA e Europa, como a questão das tarifas e negociações sobre a Groenlândia, nas quais Trump recuou após diálogo com a OTAN.

Perspectivas para o futuro próximo

As negociações para encerrar os conflitos na Ucrânia e Gaza continuam, com encontros previstos entre líderes como Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em Davos. O papel do conselho de paz e o envolvimento das principais potências mundiais seguem sendo monitorados com cautela, especialmente quanto à eficácia e legitimidade do novo organismo proposto para substituir funções tradicionais das Nações Unidas.

A posição do Reino Unido reflete um equilíbrio entre o apoio à paz e a necessidade de garantir que os processos envolvidos respeitem compromissos claros e interesses legítimos, sem abrir mão da segurança internacional e da estabilidade regional.

Fonte: www.bbc.com

Fonte: BBC

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