Trump lança ‘Board of Peace’ com investimento de US$ 1 bilhão para reconstrução

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Iniciativa apresentada em Davos visa resolver conflitos internacionais, mas enfrenta críticas sobre ausência palestina e relação com ONU

Trump lança o 'Board of Peace' em Davos com US$ 1 bilhão para reconstrução, mas ausência palestina gera dúvidas sobre iniciativa.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou em Davos, Suíça, o lançamento do “Board of Peace”, um conselho internacional para a resolução de conflitos e reconstrução, com um fundo de US$ 1 bilhão destinado à associação permanente. Inicialmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza após o conflito de dois anos entre Israel e o território palestino, o conselho ampliou seus objetivos para atuar em outras crises globais, segundo anúncio feito por Trump no Fórum Econômico Mundial (WEF).

Expansão do escopo do Board of Peace

Durante a cerimônia de assinatura da carta do conselho, Trump afirmou que “uma vez que esse conselho esteja completamente formado, podemos fazer praticamente o que quisermos”. O documento de 11 páginas que formaliza o conselho não menciona Gaza, indicando uma ampliação das atribuições do grupo. Trump destacou que a iniciativa pretende “trabalhar com muitos outros, inclusive as Nações Unidas”, embora tenha criticado a organização por não aproveitar seu potencial ao máximo.

Composição e participação internacional

O conselho é presidido por Trump e conta com um “conselho executivo fundador” composto por figuras influentes como o secretário de Estado americano Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e Jared Kushner, genro de Trump. Entre os países convidados, aproximadamente 50 a 60 foram contatados, com 25 já tendo concordado em participar. Países do Oriente Médio, como Egito, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, anunciaram adesão, enquanto nações europeias como Reino Unido, França, Noruega, Suécia e Eslovênia optaram por não integrar o conselho, citando preocupações políticas.

Controvérsias e críticas

A ausência de representantes palestinos no conselho tem gerado preocupação e sentimentos de desconfiança na população de Gaza, que percebe a iniciativa como uma discussão que os trata mais como problema do que como agentes com direitos legítimos. Além disso, a inclusão de líderes como Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu, que enfrentam acusações internacionais, gera questionamentos sobre as intenções e legitimidade do conselho.

Especialistas em relações internacionais consideram que o ‘Board of Peace’ pode ser uma tentativa de desbancar a ONU, posicionando Trump em um papel de liderança quase monárquico sobre uma nova ordem global. A relação da iniciativa com a ONU permanece ambígua, com Trump ressaltando que o conselho deverá atuar em paralelo, mas não substituindo a organização tradicional.

Reações e perspectivas futuras

Enquanto Trump e seus aliados promovem o conselho como um grupo de “ação” focado em resultados imediatos, a comunidade internacional observa com cautela os desdobramentos da iniciativa. O fato de Putin ter se mostrado disposto a contribuir com US$ 1 bilhão para o conselho, usando até ativos russos congelados, indica um interesse estratégico em participar do grupo.

Por outro lado, a falta de envolvimento direto dos palestinos e a crítica à representação do conselho apontam para desafios que poderão limitar seu impacto real na promoção da paz e reconstrução, principalmente em áreas diretamente afetadas pelo conflito.

O “Board of Peace” representa uma nova abordagem proposta por Trump para lidar com crises internacionais, mas sua efetividade, legitimidade e repercussão global ainda dependem do equilíbrio entre seus membros, da aceitação internacional e do respeito aos direitos das populações envolvidas.

Fonte: www.aljazeera.com

Fonte: AFP]

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