Falência hídrica global: o alerta urgente da ONU para o uso excessivo da água

ONU destaca que metade da população mundial enfrenta escassez severa de água e sistemas hídricos não recuperam mais

ONU alerta que quase metade da população mundial vive sob escassez severa de água, com sistemas hídricos entrando em falência hídrica global.

O mundo entrou em estado de falência hídrica global, uma condição crítica alertada por pesquisadores da ONU que destaca o uso excessivo de água doce em contexto de mudanças climáticas severas. Conforme publicado em 22 de janeiro de 2026, cerca de 4 bilhões de pessoas — quase metade da população mundial — enfrentam escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano, sem acesso suficiente para suprir suas necessidades básicas.

O que significa falência hídrica global?

A falência hídrica não é apenas um déficit temporário, mas uma condição crônica onde o consumo de água ultrapassa a capacidade natural de reposição. Isso inclui o colapso dos sistemas que armazenam e filtram água, como aquíferos e zonas úmidas, tornando-se difícil ou impossível reverter os danos. Cidades como Teerã e áreas abastecidas pelo Rio Colorado nos Estados Unidos exemplificam locais onde a demanda já excede a oferta sustentável.

Consequências para populações e ecossistemas

Além da falta de água para consumo humano, os efeitos incluem o encolhimento de lagos, afundamento de solos — como ocorre na Cidade do México, que afunda cerca de 25 centímetros ao ano —, aumento de incêndios florestais, tempestades de areia e colapso da agricultura. A extração excessiva de água subterrânea tem provocado subsidência do solo em áreas que abrigam cerca de 2 bilhões de pessoas, especialmente em grandes metrópoles asiáticas como Jacarta, Bangkok e Ho Chi Minh.

Impacto na agricultura e segurança alimentar

A agricultura, responsável por aproximadamente 70% do uso global de água doce, sofre profundamente com a escassez. Mais de 1,7 milhão de quilômetros quadrados de terras irrigadas estão sob alto estresse hídrico, ameaçando a produção de alimentos para cerca de 3 bilhões de pessoas. O aumento das secas, com duração e frequência maiores, agrava esta situação, elevando os preços dos alimentos e gerando riscos econômicos e sociais.

Papel das mudanças climáticas

O aquecimento global intensifica a crise ao reduzir as precipitações em várias regiões, aumentar a evapotranspiração das plantas e alterar o derretimento das geleiras que abastecem rios. Estas mudanças, somadas ao crescimento populacional e à expansão urbana e industrial, pressionam ainda mais os recursos hídricos limitados.

Medidas urgentes para enfrentar a falência hídrica

Para combater esse cenário, especialistas apontam para ações imprescindíveis:

Reconhecer o problema: estabelecer limites reais para o uso da água, alinhados à capacidade de reposição natural.

Proteger o capital natural: conservar e restaurar zonas úmidas, rios e solos para manter a saúde dos ecossistemas que suportam o ciclo da água.

Gestão justa e eficiente: implementar políticas que assegurem o acesso equitativo à água, apoiem agricultores na transição para sistemas menos dependentes de irrigação e promovam o uso eficiente.

Monitoramento rigoroso: utilizar tecnologias como sensoriamento remoto para acompanhar o uso, a qualidade da água e os indicadores ambientais críticos.

  • Planejamento adaptativo: redesenhar cidades, sistemas alimentares e economias para operar dentro dos limites hídricos sustentáveis.

Interconexões globais e sociais

A falência hídrica em um local reverbera globalmente, devido ao comércio, migração e alterações climáticas, potencializando tensões locais e internacionais. A crise hídrica não é apenas ambiental, mas fundamentalmente social e política, exigindo cooperação e compromisso globais.

Este alerta da ONU destaca um ponto de inflexão para a humanidade: continuar consumindo recursos hídricos como se fossem ilimitados ou aprender a viver dentro dos limites do planeta, garantindo sustentabilidade e segurança para as gerações futuras.

Fonte: www.metropoles.com

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