Acordo firmado no Fórum Econômico Mundial impulsiona esforços conjuntos para proteger a região contra influência russa e chinesa
O pacto de Trump sobre Groenlândia exige que aliados da OTAN intensifiquem a segurança no Ártico em 2026, diante da crescente presença russa e chinesa na região.
O acordo envolvendo Donald Trump e Groenlândia coloca sob pressão os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para fortalecer a segurança no Ártico de forma célere, conforme declarou o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, durante o Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça. Este pacto, anunciado em meio ao interesse estratégico da administração Trump pela ilha, visa conter a crescente influência militar e econômica da Rússia e da China na região.
Contexto do acordo e postura dos aliados
Na reunião realizada em Davos no dia 21 de janeiro, Mark Rutte destacou a necessidade de uma resposta coordenada entre os aliados da OTAN para enfrentar os desafios que o Ártico apresenta, especialmente com as mudanças climáticas que abrem novas rotas marítimas e potencializam a disputa por recursos naturais. Rutte afirmou que espera que medidas efetivas sejam adotadas já nos primeiros meses de 2026, reforçando a urgência do tema.
Donald Trump, que anteriormente ameaçava impor tarifas sobre países europeus contrários à sua intenção de adquirir Groenlândia, surpreendeu ao abandonar essa postura e descartar o uso da força para tomar a ilha. Em vez disso, anunciou um “framework” para um futuro acordo envolvendo Groenlândia e toda a região ártica, com foco na segurança e cooperação mútua.
Soberania dinamarquesa e diálogo tripartite
A premiê da Dinamarca, Mette Frederiksen, reforçou que questões relacionadas à soberania da ilha não estão abertas para negociação, ressaltando que o diálogo deve respeitar a integridade territorial dinamarquesa e a autonomia de Groenlândia. Segundo ela, as discussões sobre segurança, investimentos e economia são naturais, especialmente em uma região tão estratégica.
As negociações continuam entre Estados Unidos, Dinamarca e representantes groenlandeses para definir detalhes, incluindo a exploração mineral na ilha, sem que o tema tenha sido tratado diretamente na reunião entre Rutte e Trump.
Segurança no Ártico e apoio à Ucrânia
Rutte assegurou que o foco na segurança do Ártico não prejudicará o apoio da OTAN à Ucrânia em seu conflito contra a Rússia. A presença crescente da China e da Rússia na região é vista como uma ameaça comum, motivando a cooperação transatlântica para proteção dessa zona vital.
Além disso, Trump mencionou discussões adicionais sobre o programa Golden Dome, um sistema de defesa antimísseis norte-americano que será implantado no espaço pela primeira vez, com orçamento de US$ 175 bilhões, embora poucos detalhes tenham sido divulgados.
Reações europeias e perspectivas
O chanceler alemão Friedrich Merz saudou a mudança de postura de Trump e defendeu a importância do fortalecimento da parceria transatlântica para a segurança do Ártico, destacando que isso beneficia todos os países envolvidos. Ele enfatizou a necessidade de proteger a soberania e integridade territorial da Dinamarca e Groenlândia, ao mesmo tempo em que combate a influência russa na região.
Contudo, governos europeus permanecem cautelosos diante da imprevisibilidade da administração Trump e da possibilidade de novas reviravoltas nas relações transatlânticas. Em meio a isso, líderes da União Europeia discutem uma revisão estratégica dos laços com Washington para evitar impactos negativos à estabilidade da aliança.
Desafios e próximos passos
A conjuntura geopolítica do Ártico está em transformação rápida, impulsionada por interesses econômicos, ambientais e militares. O pacto de Trump sobre Groenlândia representa um esforço para coordenar a resposta ocidental a essas dinâmicas, mas esbarra em complexidades diplomáticas que exigem diálogo constante entre EUA, Dinamarca, Groenlândia e demais aliados da OTAN.
Essas negociações serão fundamentais para definir o futuro da segurança, da exploração de recursos e da soberania na região que se tornou um palco estratégico para as potências globais nas próximas décadas.
Fonte: www.aljazeera.com
Fonte: Jonathan Ernst
