O fundador da Bitmain antecipou a convergência da IA e blockchain e aponta lições para o desenvolvimento do Brasil
Jihan Wu, cofundador da Bitmain, antecipou a fusão entre IA e blockchain. O Brasil precisa absorver essa visão para acelerar sua maturidade no mercado cripto.
Em 2018, antes do boom da inteligência artificial e do ChatGPT, Jihan Wu — cofundador da Bitmain — já identificava uma transformação fundamental no mercado global: a convergência entre blockchain e IA. Essa percepção antecipada levou Wu a direcionar até 40% da receita da Bitmain para chips de IA num horizonte de cinco anos, uma estratégia arrojada que hoje parece óbvia para especialistas.
Quem é Jihan Wu
Nascido em 1986 em Chongqing, China, Wu formou-se em economia e psicologia pela Universidade de Pequim. Descobriu o Bitcoin em 2011 e não só investiu consideravelmente na criptomoeda em seu estágio inicial, como também traduziu o whitepaper original para o chinês, ampliando o acesso ao conhecimento para mais de um bilhão de pessoas.
Em 2013, cofundou a Bitmain, que viria a dominar quase três quartos do mercado mundial de equipamentos para mineração de Bitcoin. A empresa atingiu picos de receita e lucro bilionários, consolidando Wu como uma das mentes mais influentes do ecossistema cripto.
A aposta visionária em IA e blockchain
A decisão de integrar chips de inteligência artificial em seu portfólio mostra a capacidade de Wu em antecipar tendências tecnológicas e de mercado. Essa visão não apenas fortaleceu a Bitmain, mas também guiou a criação da Matrixport, uma plataforma focada em serviços financeiros para criptoativos que atende mais de 800 instituições globalmente e é avaliada em mais de US$ 1 bilhão.
O Brasil diante do desafio da maturidade cripto
Apesar do potencial, o Brasil ainda não atraiu empresas como a Matrixport, que priorizam mercados com regulação estável e demanda institucional sofisticada. A América Latina, embora seja foco recente de expansão, não está tão desenvolvida quanto outras regiões como Japão, Coreia do Sul e Emirados Árabes.
A educação financeira e a cultura de investimentos no Brasil evoluíram, mas ainda carecem da sofisticação necessária para sustentar uma adoção mais ampla de produtos cripto complexos. A predominância das stablecoins — que representam cerca de 90% dos US$ 318 bilhões movimentados anualmente em criptoativos — evidencia esta transição em curso.
Stablecoins: instrumentos e indicadores
No contexto brasileiro, as stablecoins cumprem papéis essenciais, como viabilizar pagamentos, proteger contra volatilidade cambial e facilitar remessas internacionais. Contudo, seu uso massivo também sinaliza limitações do sistema financeiro tradicional e a necessidade de ampliar o acesso a produtos mais estruturados.
Transformando desafios em oportunidades
O percurso de Jihan Wu mostra que liderar a próxima onda tecnológica exige construção antecipada de infraestrutura, regulação funcional e capital de longo prazo. O Brasil possui escala, talento e demanda, mas precisa transformar volume em sofisticação para se tornar um protagonista global.
A chave está na antecipação estratégica, não na reação tardia. A visão de Wu convida o Brasil a acelerar sua maturidade cripto, desenvolvendo infraestrutura institucional e educação financeira para captar o capital institucional e impulsionar a inovação.
Reflexão final
O Brasil não pode se contentar em ser apenas o próximo mercado no roteiro de expansão global das criptomoedas. Deve buscar influenciar o rumo da inovação financeira mundial, aprendendo com exemplos como o de Jihan Wu, que soube enxergar oportunidades antes do mercado e posicionar sua empresa como líder em tecnologia disruptiva.
Fonte: www.moneytimes.com.br
