James Webb Space Telescope revela estrela sobrevivente após colisão de duas estrelas

Robert Lea

Descoberta mostra que fusão de estrelas gera uma supergigante vermelha e pode fornecer elementos fundamentais à vida

James Webb Space Telescope revela que a colisão de duas estrelas gera uma supergigante vermelha, oferecendo pistas sobre a origem da vida.

O James Webb Space Telescope (JWST) proporcionou avanços significativos na compreensão do que acontece após a colisão e fusão de duas estrelas, fenômeno conhecido como “nova vermelha luminosa”. Através da análise de nove eventos deste tipo, coletados em arquivos astronômicos, foi possível identificar que o remanescente dessas colisões é uma superestrela similar a uma supergigante vermelha, um corpo enorme e relativamente frio em comparação ao Sol.

Observando eventos cósmicos em tempo real

Diferentemente de muitos processos astronômicos que se desenrolam em escalas de milhares a milhões de anos, as fusões que geram as novas vermelhas luminosas ocorrem em períodos mais curtos, de meses a décadas. Isso permite aos astrônomos acompanhar a evolução desses eventos dentro de uma escala temporal acessível, estudando desde os momentos finais antes da colisão até as fases posteriores à explosão.

Identificando as estrelas progenitoras e o remanescente

Do conjunto estudado, dois eventos — AT 2011kp e AT 1997bs — forneceram informações completas sobre o sistema estelar antes, durante e depois da fusão. Utilizando imagens do JWST, Hubble e Spitzer, os pesquisadores observaram estes objetos anos após a explosão inicial, conseguindo penetrar a densa camada de poeira gerada pela colisão para revelar a nova estrela formada.

Características da supergigante vermelha resultante

A estrela remanescente tem um tamanho centenas de vezes maior que o Sol e uma temperatura superficial entre 3.200 e 3.700 °C, inferior à do Sol, que é aproximadamente 5.700 °C. Esta descoberta surpreendeu os pesquisadores, que esperavam um objeto mais quente e compacto devido à soma das massas das estrelas originais. A supergigante vermelha formada poderia engolir os planetas rochosos internos do nosso sistema solar caso estivesse em seu centro.

Implicações para a astrobiologia

A análise química da poeira ao redor da nova estrela revelou uma predominância de compostos de carbono, como grafite, que são componentes essenciais para a vida. Isso sugere que essas fusões estelares podem ser fontes significativas de material orgânico no universo, reforçando a ideia de que elementos fundamentais à vida na Terra podem ter origem em eventos cósmicos como estes.

O papel do James Webb Space Telescope

O poder observacional do JWST, especialmente no infravermelho, foi crucial para essa descoberta. Somado aos dados do Hubble e Spitzer, o telescópio permitiu a observação detalhada das estrelas remanescentes, mesmo após décadas da explosão, ultrapassando as limitações impostas pela poeira densa. Essa capacidade abre caminho para futuros estudos sobre a evolução estelar e a formação de elementos químicos essenciais para a vida.

A pesquisa, liderada por Andrea Reguitti e colegas do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF), será publicada na revista Astronomy & Astrophysics, e amplia o conhecimento sobre as consequências das colisões estelares, conectando fenômenos astronômicos com questões fundamentais sobre a origem da vida no cosmos.

Fonte: www.space.com

Fonte: Robert Lea

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