Rabobank sinaliza desequilíbrio no mercado sucroenergético com crescimento acelerado do biocombustível à base de milho
Rabobank aponta que a expansão do etanol de milho pode causar excesso de oferta, impactando preços do açúcar e do biocombustível no Brasil.
O crescimento acelerado da produção de etanol de milho no Brasil tem gerado preocupações no setor sucroenergético, conforme apontado no relatório recente do Rabobank intitulado “Corn ethanol in Brazil – yellow alert for sugar?”. A expansão robusta e competitiva desse biocombustível levanta o que o banco chama de “alerta amarelo” para a indústria do açúcar, tanto nacional quanto internacional.
Expansão acelerada e riscos de desequilíbrio
A capacidade instalada para produção de etanol de milho tem aumentado de forma significativa, com investimentos intensos em unidades tanto do tipo “full” (tradicionais e independentes) quanto “flex” (acopladas a usinas de cana). Para a safra 2025/26, a produção deve chegar a cerca de 10 bilhões de litros, podendo atingir até 16 bilhões em 2028 e superar 20 bilhões na próxima década.
Embora a demanda por etanol possa crescer, principalmente em função de políticas para aumento da mistura obrigatória na gasolina, reforma tributária e interesse em combustíveis sustentáveis para aviação e transporte marítimo, esses fatores tendem a se consolidar mais efetivamente a partir de 2029–2030. Isso cria um possível desequilíbrio entre oferta e demanda no curto e médio prazo.
Impactos para a indústria do açúcar
Um excesso de oferta de etanol tende a pressionar os preços do biocombustível, levando as usinas a reajustarem seu mix produtivo. Com preços do etanol mais baixos, as unidades podem aumentar a produção de açúcar, buscando margens melhores. Essa dinâmica pode aproximar os preços do açúcar e do etanol, afetando o mercado nacional e internacional.
Para 2026, a expectativa é de uma safra robusta de cana-de-açúcar, que já pode estar precificando essa situação. O Rabobank ressalta que, mesmo com fatores imprevisíveis como eventos climáticos e possíveis aumentos nos preços do petróleo, o setor precisa monitorar atentamente essas tendências.
Repercussões no setor sucroenergético
O setor de etanol de cana, responsável por cerca de dois terços do etanol produzido no Brasil, tem focado em maximizar a produção de açúcar diante de preços atrativos. Isso tem liberado espaço para o avanço do etanol de milho, sem gerar ainda um desequilíbrio imediato. Porém, com o declínio nos preços do açúcar e a crescente capacidade de etanol de milho, desafios para a equilíbrio de mercado surgem no horizonte próximo.
Perspectivas para os próximos anos
Até o final da década, os investimentos em capacidade produtiva devem continuar, ampliando o papel do milho e outros cereais como sorgo e trigo na produção de etanol. Essa transformação afetará diretamente as estratégias das usinas, que precisarão equilibrar entre açúcar e biocombustíveis para manter a rentabilidade.
O Rabobank conclui que a atenção ao desenvolvimento desse mercado é fundamental, dado que mudanças relevantes no setor brasileiro podem impactar agentes globais da indústria sucroenergética.
Fonte da imagem: etanol milho inpasa
Fonte: www.moneytimes.com.br
