Janeiro Verde-piscina reforça prevenção do câncer do colo do útero, um dos mais evitáveis do mundo

 

Campanha da Sociedade Brasileira de Cancerologia destaca vacinação contra o HPV e exames de rastreamento como estratégias centrais para reduzir casos e mortes pela doença

O câncer do colo do útero segue como um importante desafio de saúde pública no Brasil, com aproximadamente 17 mil novos casos registrados anualmente, tendo como principal causa a infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse é um dos tipos de câncer mais preveníveis do mundo, justamente por existir um conjunto de estratégias eficazes e acessíveis que atuam desde a prevenção primária até o diagnóstico precoce, sendo que a adoção sistemática dessas medidas tem o potencial para reduzir drasticamente a incidência da doença e, a longo prazo, eliminá-la como problema de saúde pública.

Nesse contexto, a campanha Janeiro Verde-piscina, criada pela Sociedade Brasileira de Cancerologia, tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer do colo do útero. A iniciativa reforça que a vacinação contra o HPV, aliada ao rastreamento regular por meio do exame Papanicolau e do teste de HPV, é capaz de evitar a maioria dos casos. Quando as lesões precursoras são identificadas ainda em estágios iniciais, as chances de cura são elevadas e os tratamentos tendem a ser menos invasivos, preservando a qualidade de vida das mulheres.

Para a oncologista do Centro de Oncologia do Paraná (COP), Dra. Rayana Pecharki, o acesso à informação qualificada é determinante para mudar esse cenário. “Estamos falando de um câncer altamente prevenível. A vacinação contra o HPV, indicada preferencialmente antes do início da vida sexual, é uma das estratégias mais eficazes já desenvolvidas na prevenção oncológica, pois impede a infecção pelos principais subtipos virais associados ao câncer do colo do útero. Sendo assim, ampliar a cobertura vacinal é um passo importante para reduzir a incidência da doença nas próximas décadas”, explica.

Monitoramento constante pode salvar vidas

Além da vacinação, Rayana destaca o papel fundamental do rastreamento periódico ao longo da vida adulta, com exames como o Papanicolau e o teste de HPV que permitem identificar alterações celulares antes que elas evoluam para um câncer invasivo. “O acompanhamento regular possibilita intervenções precoces, muitas vezes simples e ambulatoriais, evitando tratamentos mais complexos, como cirurgias extensas, radioterapia ou quimioterapia. Por isso o rastreamento não deve ser negligenciado mesmo na ausência de sintomas, já que o câncer do colo do útero pode se desenvolver de forma silenciosa”, explica.

Linha de cuidado preventiva

A oncologista reforça ainda a importância de garantir uma linha de cuidado bem estruturada para as mulheres que apresentam exames alterados. “O diagnóstico precoce precisa vir acompanhado de encaminhamento ágil para avaliação especializada e início do tratamento, quando indicado. O seguimento adequado faz toda a diferença nos desfechos clínicos, reduz a mortalidade e contribui para que as pacientes enfrentem o processo com mais segurança e acolhimento”, completa Rayana.

Nesse contexto é importante lembrar que a campanha Janeiro Verde-piscina convida a sociedade a assumir um papel ativo na prevenção, incentivando pais e responsáveis a manterem a vacinação de crianças e adolescentes em dia, mulheres a realizarem seus exames preventivos regularmente e gestores públicos a fortalecerem políticas de acesso à saúde. “A mensagem central é clara e baseada em evidências científicas, sendo que o alerta é de que o câncer do colo do útero pode ser evitado, e investir em prevenção, informação e cuidado contínuo é uma das formas mais eficazes de salvar vidas”, finaliza a médica.

PUBLICIDADE

VIDEOS

JOCKEY

Relacionadas: