Dólar cai a R$ 5,28 com menor valor desde novembro em cenário de alívio global

Queda do dólar frente ao real reflete melhora nas tensões geopolíticas e dados econômicos dos EUA

Dólar cai a R$ 5,28 e fecha no menor nível desde novembro impulsionado por alívio geopolítico e estabilidade dos dados econômicos dos EUA.

O dólar caiu para R$ 5,2845 nesta quinta-feira (22), atingindo seu menor patamar desde novembro, em uma sessão marcada por um movimento de enfraquecimento da moeda americana frente a moedas fortes e emergentes, principalmente o real. Essa queda no dólar está diretamente relacionada ao alívio nas tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e à continuação de uma rotação global de ativos, que favorece mercados emergentes como o brasileiro.

Contexto geopolítico e impacto no câmbio

Nas últimas semanas, a volatilidade nos mercados foi influenciada por declarações e negociações diplomáticas do presidente americano Donald Trump. Na quarta-feira (21), Trump descartou o uso da força para “conquistar” a Groenlândia durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o que trouxe um clima de maior estabilidade. Ele também suspendeu tarifas de 10% que seriam aplicadas a produtos de países europeus como Dinamarca, Noruega e Alemanha, entre outros, gerando um ambiente de menor tensão comercial.

Em seguida, Trump afirmou que um acordo com a Otan permitirá aos Estados Unidos acesso total e permanente à Groenlândia, embora detalhes ainda não tenham sido divulgados. Essa sinalização de diálogo contribuiu para o aumento do apetite por risco dos investidores internacionais, beneficiando moedas como o real.

Indicadores econômicos dos EUA alinhados às expectativas

Além do cenário político, os dados econômicos americanos também influenciaram o mercado cambial. O índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal medida de inflação para o Federal Reserve (Fed), subiu 0,2% em novembro ante outubro, com alta anual de 2,8%, em linha com as estimativas do mercado.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA teve alta anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, revisada para cima em relação à primeira estimativa de 4,3%. Esses dados mantêm as expectativas do mercado de que o Fed deverá manter a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% na próxima reunião de política monetária, prevista para a semana seguinte, com possível afrouxamento apenas a partir de junho.

Efeito da rotação global e diferencial de juros

O movimento de desvalorização do dólar frente ao real também reflete a rotação global conhecida como “Sell America”, que corresponde à saída de dólares dos mercados norte-americanos em busca de ativos mais rentáveis em outros países. O Brasil, com a taxa Selic em 15% ao ano, oferece um diferencial de juros atrativo frente à taxa americana, o que estimula o fluxo de investimentos para ativos brasileiros.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “o Brasil permanece como uma das moedas com maior carry trade entre os emergentes, fator que, combinado a um ambiente global construtivo para risco, segue favorecendo a valorização do real frente ao dólar esse ano”.

Perspectivas para o mercado cambial

O cenário atual sugere continuidade do movimento de fortalecimento do real, especialmente se as condições globais de menor tensão geopolítica e estabilidade econômica americana persistirem. O diferencial de juros elevado, aliado à expectativa de manutenção das taxas no curto prazo nos EUA, torna os ativos brasileiros mais atrativos para investidores.

No entanto, o mercado permanece atento a possíveis mudanças no cenário internacional que possam reverter a tendência, como novos conflitos, alterações na política monetária americana ou surpresas econômicas.

Diante do atual contexto, investidores devem acompanhar de perto o desenvolvimento das negociações internacionais e os dados econômicos que podem influenciar o câmbio e os fluxos de capital globais.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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