Pesquisa brasileira investiga fatores genéticos e ambientais que contribuem para a longevidade
Estudo brasileiro analisa centenários e supercentenários para entender a longevidade extrema, destacando genética e estilo de vida.
A longevidade extrema é um fenômeno que desperta grande interesse científico, sobretudo quando pessoas ultrapassam os 100 anos, chegando a 110 anos ou mais e tornando-se supercentenárias. O Brasil, apesar de não liderar globalmente em expectativa média de vida, possui uma população centenária significativa, o que motivou um estudo longitudinal inovador no país.
Diversidade genética e longevidade no Brasil
O Brasil se destaca por sua elevada diversidade genética, resultado de séculos de miscigenação entre indígenas, europeus, africanos e imigrantes. Essa heterogeneidade genética é fundamental para ampliar o conhecimento sobre os mecanismos da longevidade, já que muitas pesquisas anteriores focaram em populações mais homogêneas, limitando as conclusões.
Coorte de centenários e supercentenários brasileiros
A pesquisa contou com uma coorte de mais de 160 centenários em várias regiões brasileiras, incluindo 20 supercentenários. Entre eles, estavam figuras notáveis como Inah Canabarro Lucas, reconhecida como a pessoa mais velha do mundo até sua morte, aos 116 anos, e dois homens com 113 anos. A análise desses indivíduos revelou níveis surpreendentes de autonomia e lucidez, com alguns mantendo independência para atividades básicas.
Componentes hereditários e ambientais da longevidade
Casos familiares reforçam a hipótese de que a longevidade possui um componente genético importante, exemplificado por uma mulher de 110 anos que tinha três sobrinhas centenárias. No entanto, os pesquisadores enfatizam que os genes são apenas uma parte da equação. Estilo de vida, ambiente e o funcionamento do sistema imunológico aparecem como fatores decisivos para um envelhecimento saudável.
Resistência imunológica e saúde na velhice
Um aspecto marcante da pesquisa brasileira foi a observação de que muitos centenários mantêm sistemas imunológicos semelhantes aos de pessoas jovens. A resistência observada em alguns supercentenários que sobreviveram à COVID-19 antes da vacina sugere mecanismos naturais de proteção imunológica e equilíbrio proteico, mesmo em regiões com acesso limitado à saúde moderna.
Avanços e desafios para estudar a longevidade humana
Os dados coletados continuam sendo analisados e comparados com outras populações para identificar adaptações biológicas específicas. Os pesquisadores ressaltam a importância de incluir populações com diversidades genéticas e contextos sociais diferentes para ampliar o entendimento sobre a longevidade e garantir que o conhecimento científico seja mais representativo e aplicável globalmente.
Fonte: www.parana.jor.br